4 de agosto de 2012

Velocidade

Sempre fui precoce. Culpa da sucessão de fatos que me fizeram ser o homem da casa com onze anos, nascer filho mais velho, neto mais velho, até bisneto. Então, natural, melhor, cultural eu ser o primeiro isso, o primeiro aquilo. Sei, boa parte dessa leitura está mais em mim que nas coisas propriamente acontecidas. Mas o peso delas têm grande influência na minha atitude. Considero uma lástima o tempo aplicado no primeiro emprego, e com todas as regalias e lauréis de sucesso, meus familiares se orgulharam de mim. Ó, ELE ESTUDA DE NOITE E TRABALHA DE DIA, típica vida de trabalhador assalariado e assassino dos desejos e sonhos. Eu, agora, me considero apto a escavar a minha ais profunda identidade, a mergulhar lá nos sonhos da infância e descobri o que eu sufoquei por entre apostilas de concursos. É que tenho lido um livro, é que tenho visto meus primos firmes e fortes no caminho da universidade e é que fiquei com vontade de retomar os meus projetos. Sempre estive na estrada certa, mas o meu problema é que tenho a tendência a mater-me parado. E se queres alcançar o teu sonho, já dizia o poeta, não cesse o teu caminhar; mas o poeta também disse: caminhante, não há caminho, faça o caminho no ato de caminhar. E eu vou, inventando um caminho maluco, criando atalhos sem nexo, com possobilidade de me perder.