29 de dezembro de 2011

Em 2012,



Quero tocar muito bem a minha gaita.
Quero ler mais 07 livros de Shakespeare.
Quero mudar meu estilo sendo compatível com a moda Nouvelle Vague.
Quero dirigir carro.



Quero concluir o curso de Letras.
Quero conhecer você, minha menina.
Quero sentir o grande amor.



Quero estudar mais sobre Woody Allen(e comprar o livro do Eric Lax).
Quero estar trabalhando na Caixa Econômica.
Quero ler com mais entusiasmo os livros de Gabriel García Márquez.
Quero decidir a minha real relação do teatro.



Quero escrever um texto teatral.
Quero chorar lendo um livro.
Quero ter um animal de estimação.
Quero ter amigos verdadeiros demais.



Quero melhorar a relação com meu pai e minha mãe.
Quero fazer caminhadas com minha vó.
Quero ajudar nos estudos do meu irmão.



Quero escutar mais as músicas de Coldplay, Marisa Monte, Cat Stevens.
Quero ser fã do Jazz e do Blues.
Quero pensar socialmente, viver esteticamente, respirar tranquilamente, perceber minuciosamente.



Quero conjugar o verbo Consciente*.
Quero estar consciente do agora.
Quero fazer do passado Presente e do futuro, esboço.
Mas, não se engane:
Continuarei crítico, espontâneo, delicadamente delicado, delirante, misterioso... reservado.

28 de dezembro de 2011

Conversa com Mulher

Ela foi falando para mim que os homens se aproximavam dela por puro interesse sexual. Que ela não queria ser considerada objeto de desejo.

- Será que eles não entendem! Só quero pegar na mão, caminhar pela rua abraçadinhos, contar besteiras ao pé do ouvido. Não quero só sexo! Eu tenho minha mão para isso, e tenho três ajudas lá em casa. Três garotos. Então, eu resisto às tentações e fico investindo na amizade. Quando eles me maltratam, ainda no início, percebo que eles estavam com a velha expectativa dos mesmos homens que chegam até mim, a expectativa fácil de que tudo vai rolar!

- Irônica situação, eu disse, porque eu estive nesse impasse com minha ex-namorada. No meu caso, era a falta e não o excesso de sexo.

- É. É preciso complementar, melhor, suplementar! Mas todos eles são iguais.

- Não, não são. É preciso que você fale isso que você me falou para eles. Assim, pensarão a atitude animalesca e primitiva que seguem. Você sairá da condição de vaso no qual é colacada "flores" e passará para a condição de mulher que merece receber flores. Mas do que colocá-las num lugar qualquer. Eduque-os.

- Eu, educá-los.

- É. Talvez, você faça a diferença na mente de muitos homens. Você é linda, sensual e humana. Não deixe que nada predomine sobre a sua humanidade que já lhe é inerente. Digo, deixe que eles enxerguem isso em você. Caso queiram brincar de ser machões, brinque de ser a mulher-maravilha.

- Não sei.

- Ao menos tente me escutar e reflita sobre o que ouviu.

Com aqueles olhos que o Diabo lhe concedeu, o riso com que o tempo lhe deixou e o coração que Deus presenteou, ela foi e eu fui. Nós fomos, cada um para um lado, cada um com um pouco de cada do outro.

24 de dezembro de 2011

Morte in Vida (ou Lendo Pedro Páramo)




Da minha família, ao que me consta, já se foram: Marcelo, meu tio(assassinado), A irmã de minha vó paterna(leucemia), Janinha, minha prima(atropelada), Reinaldo, um tio de consideração(câncer de pulmão), Dona Chica, minha bisavó(falha múltipla dos órgãos, morreu a dormindo). Todos eles não existem mais, ou melhor, até existem na condição de fantasmas.

O conceito que sigo: Fantasmagórico é aquilo que é feito de ideia e tem caráter volátil. Aquele pensamento típico de um leitor que vai lendo e imaginando, e se perdendo, e vivendo, e se emocionando. Nunca tive uma experiência sobrenatural, nunca tive uma que valha a pena de toda a minha curta existência. Por isso, fantasmas são coisas que surgem dentro da gente e adquirem contornos surreais.

Juan Rulfo é o escritor latino americano de grande influência na obra do escritor mais admirado por mim: Gabriel García Márquez. Lendo a obra do primeiro, facilmente percebo referência buscadas nessa: Agosto, Canícula, Espaço-Tempo ínfimo, Personagens Doentis, Descrições Sinestésicas. E, arbitrariamente, julgo-me inapto para a leitura desses dois. Mas já me antecipo para mais tarde assustar-me da ingenuidade do leitor que sou hoje. De antemão, guardo algumas impressões do tempo, do espaço, do enredo, dos personagens, do estilo da narrativa do grande clássico mexicano contemporâneo: Pedro Páramo.

Escreverei mais por aqui. Pretendo ter a visão completa da leitura. Por enquanto, encontro-me no meio das singelas páginas.

Vislumbro personagens que aparecem e desaparecem. Indicam um caminho, contradizem os atos, lamentam. Murmuram demasiado. São mortos que falam com os vivos sobre o queixumes deixados quando feitos de nervos e sangues. São seres amargos que se queixam da indiferença e insensatez de um pai sempre distante: o próprio Pedro Páramo.

A exegese está só começando... investigar a morte em vida será o próprio trabalho de investigar o meu suicídio cotidiano.



Há no México, numa atemporalidade não distante, uma cidade chamada Comala. "Vim à Comala porque me disseram que aqui vivia o meu pai: um tal de Pedro Páramo", assim se inicia a saga de Juan Preciado o nosso narrador casual e personagem identitário(aquele com o qual nos sentimos mais próximo). Ele apresenta-se já na cidade e relembra motivo de estar ali. A mãe no leito da morte, segurando a mão do filho, implorou para que ele retorna-se à Comala dos sonhos dela e pedisse o que era deles por direito ao injusto marido que a abandonara. É por esse filho que honra o desejo e a promessa feita a mãe que vamos adentrando num universo de persongens guiadores do caminho para encontrar o pai. O problema é quando esses persongens contradizem o personagem anterior, ora dizendo que o outro está morto, ora dizendo que não sabia que o outro ainda estava vivo. É como um vilarejo de casas invisíveis uma as outras. Como um labirinto!

Aliás, eis uma das metáforas mais bem apropriadas ao estilo primitivo tanto de Juan Rulfo quanto dos estilos fantásticos. Uma narrativa que vai se construindo sorrateiramente, ergue muros, restringe espaço, às vezes, claustro: um labirinto, uma emaranhado, um monte de perspectiva, uma fragmentação do que é completamente complexo, o sobrenatural.

Encontramos pelo caminho Abundio(um viajante que diz dos aspectos geográficos dos montes da Media Luna e dos latifúndios de Pedro Páramo), Eduviges(uma senhora amiga de Dolores, mãe de Juan Preciado, nosso narrador casual, que escuta os queixumes dos mortos e é a primeira a revelar o aspecto metáfisico da obra, Fulgor Sedano(administrador das propiedades da família Páramo). Claro, os personagens seriam muito planos se apresentados somente pelas funções sociais desempenhadas no contexto da obra literária, porém, as atitudes desempenhadas por eles, frente às adversidades da economia/política do vilarejo, demonstram que são capazes de qualquer coisa para SOBREviver. Aliás, ah...os "aliás". Aliás, o verbo SOBREviver é uma palavra de comando para todos os personagens.

Eles enfrentam situações limites. Miguel Páramo, pai de Pedro, a não aceiação de sua morte acidental; Pedro Páramo ao perder, acidentalmente, o filho, Lucas Páramo, num tiroteio de casamento. Dolores ao indignar-se da situação miserável na qual ela e o filho(de um homem tão afortunado) encontravam-se. E os moradores da Comala esquecida, em suas casas despedaçadas, sem objetos, secas, zeradas. Por sinal, não lembro-me de nenhuma descrição de alimentação por parte dos personagens(só do momento em que promete-se caçar uma ovelha, na verdade, desculpa de um morador do vilarejo para abandonar a mulher).




Opressores e Oprimidos, Labirinto das Compreensões Comunicativas, História de Sobreviventes Colonizados, Questões de Poder, Manifesto à Vingança: tudo isso poderia ser título de um prólogo. Mas numa questão mais universal, ampla, abrangente, por isso, talvez, superficial, digo: Pedro Páramo mostra que existem pessoas que falam com os vivos, trabalham com os vivos, lembram-se dos vivos, mas já estão mortas. Mortas por dentro. Mortas por não terem sentido. Mortas por estarem vagando num mundo imagético, rápido, intenso. Mortas por estarem sendo vítima de uma política do biopoder, uma política que desumaniza, assujeita. É possível viver estando já morto em vida?

Eu poderia ser um desses espíritos orfãos de pai, que conversam com Juan Preciado. Diria-lhe: Juanzito, esquece teu pai e vai em busca de tua vida, já que tua história hereditária só te fará sofrer. Juan diria-me: quero ter consciência e saber porque sou quem sou e quem poderia ter sido. Diria-lhe: Então, vá! Vá, segue adiante por estes montes infinitos. Mas não deixe que lhe tirem essa ânsia pela verdade, pelo que é certo! Vá. Não deixe que esse monte de zumbi lhe pertube o juízo. Se for para escutar alguém, escuta tua mãe que está dentro de teus pensamentos. Até minhas palavras, messa!

Se eu fosse o próprio Juan Preciado, bem... não sei o que faria. Por isso, quem sabe você, leitor, saiba o que fazer. Eu estaria de mãos atadas, quase morto.

20 de dezembro de 2011

O Eterno e o Nada



Muitas vezes nos deparamos mediante palavras repletas de sentido, tão por isso: complexas demais. Na euforia dos segundos conduzidos pela desgraça irracional dos sentimentos instantâneos, elas tornam-se palavras-muletas, outrora palavras-amuletos. O sentido e a coplexidade ganham redução drástica.

Menciono aqui o Nada. Caro leitor, se queres continuar feliz e longe da angústia do pesar pensado, foge o quanto antes deste conceito; terás assim uma juventude deslumbrante, e uma velhice de instantes solitários inquietantes.

O Nada. Não estou fazendo nada, uma das frases mais ditas pela sociedade adepta das mais avançadas tecnologias. Fazer nada é nada fazer. Nada concretizar, nada esperar, nada amar, nada querer. É um estado de plenitude e indiferença, um estado ponte entre despenhadeiros. O nada. Nadar no mar do nada. Talvez, haja aí uma ilha da verdade absoluta. A verdade absoluta cercada pelo mar do nada. Quando falares nada, lembre-se de "coisa alguma, zero, indiferença, entorpecimento".

Se Deus criou o homem, quem criou Deus? Deus é eterno. Eternidade é a qualidade daquilo que não tem começo. Penso vezenquando que a eternidade não é similar de infinito. Penso que há coisas eternas e finitas, simultaneamente. Hoje, eterno é algo que não tem fim: "Amor eterno, saudades eternas, dores eternas". Mas tudo isso reveste-se melhor por "Infinitos", uma utopia humana.

O nada é eterno. Eterno e infinito, a única coisa que consegue ser infinita aos meus olhos. O nada que perpassa todo o mistério da existência humana. O nada que vai alagando qualquer existência de ser. O nada que vai alagando as memórias, a pele. O nada pulverizador. O nada aspirador de pó. O nada. O

Uma D(i)(e)scrição

9h. Numa noite, um grupo de amigos andavam pela cidade, compravam vinhos e salgados. Caminharam em direção ao cais, objetivando um lugar para tentar parar o tempo.

Sentados. Um descobriu o toque de outro. Uns dedos na caluna que foram envolvendo ombro, nuca. Estendido o braço restou a redenção. Por isso, os outros na condição de outros não sei o que fizeram. Unifocal, descrevo os sentimentos/estados/sensações que me são comuns.

Peles que estavam intimamente ligando-se, sorrateiramente se mostram mais que juntas a olhos vistos de qualquer um. Pudor? O mínimo. 0h. Ali está ele com o outro ele que se abraçam pela metade e parecem encontrarem-se por inteiros.

Consigo saber o que um pensa sentindo: gratidão e proteção, ternura, paixão. Uma paixão irrefreável é domada por braços cruzados que simplesmente cruzados permanecem. O ele que vejo o pensamento, quase dorme de um sonho para outro; talvez, sonhasse com ele sendo aquele ele exterior. Eles sendo um só.

15 de dezembro de 2011

Os Moveres*



Talvez um dos sinais do amadurecimento seja o reconhecimento do que te move, não exatamente do motivo da movimentação, mas o que te move. Estive durante muito tempo querendo saber a natureza da movimentação do meu espírito, sim, ele move-se. E o instante em que mais me sinto vivo é quando a movimentação está tão intensa que faz ele entrar em atrito/contacto com o mundo concreto das coisas. Então, acabo, nestes instantes, em conhecer as coisas num plano pleno.

Voltanto a natureza dos motivos, isto é, das motivações, digo, movimentações, percebo que os grandes espíritos (pessoas que fizeram da vida Vida) eram movidos por uma paixão absurda, cega, incontrolável. Tanto para o bem quanto para o mal, eles enxergaram em algo aparentemente parado, o motor da existência pessoal.

Bem verdade, nessa infinitude de engrenagens afetivas que temos, vamos aos poucos perdendo o vigor. A engrenagem-mãe partirá, a engrenagem-vó perderá o prazo de validade, a engrenagem-irmão somente será um compartilhador de nostalgias. Mas... ainda podemos pensar na engrenagem-filho, na engrenagem-companheira(o). Não, não quero traçar um paralelo entre homem e máquina, unh... pensando bem, quero sim! Aliás, já foi traçado. O homem é uma máquina de sonhos e ilusões. É preciso entender que as máquinas também são sensíveis, elas quebram, dão defeito, terminam... então, há um paralelo.



As máquinas são movidas pelos homens, pelas vontades humanas. E as vontades humanas sao movidas pelo o quê? Freud já disse do inconsciente. Jung já ampliou o dito com o inconsciente coletivo. E o que move o inconsciente? É o consciente na sua mais sorrateira atitude, dirão as mentes mais "privilegiadas". E eu acataria tal resposta. Mas o inconsciente pelo inconsciente ficará na inércia. A pergunta é: o que te faz levantar da cadeira? o que te faz dizer eu te amo para a pessoa amada? o que te faz levantar cedo?



Certa vez, li algo num livro chamado O Administrador de Sonhos, algo como: Os sonhos é(ou são*, pode concordar com o predicativo do sujeito) como a energia elétrica, não podemos tocá-la, enxergá-la de fato, mesmo assim a percebemos por manter tudo funcionando.

Seriam os sonhos o nosso combustível? Então, quem não sonha vive uma vida vegetativa?! Não, ainda não é o sonho. Melhor, não somente o sonho. Há inúmeras coisas que nos movem. Entre tantas, é cientificamente comprovado que uma boa alimentação é de bom valor para a energia. Caprichar na proteína, carboidratos, vitaminas, assim você se alimentará muito bem, podendo até morrer de infarto por uma vida inteiramente bem alimentada mas pouca empenhada em algo.

O ser humano é mesmo complicado, neh? É sim. É o nosso momento trágico, meu bem! Nossa salvação e nosso aniquilamento: o pensar e o pesar.

Já estou caminhando para outro assunto, que volte e meia sempre chego até ele. De antemão, o mais salutar é ir terminando sem saber exatamente o que nos move. Às vezes, o momento no qual me sinto mais vivo é justamente quando não penso a natureza do meu movimento. Não que esteja fazendo algo mecanicamente. É que estou apenas fazendo algo por prazer, sem recompensa, sem um sinal de retribuição, sem necessidade de elogios pela caridade, sem fins filantrópicos.

Rotineiramente, movimenta-me muito a voz de Caetano Buarque e Chico Veloso (rs). Mas também, os pensamentos de Gabriel José Márquez e García Saramago. Meus pés e coração também ficam mais ritmados quando penso em ser professor universitário e ter a vida de um professor universitário: orientar aluno, discutir, criar relações próximas, estabelecer vínculos afetivos, viajar, descobrir, publicar.

Estou começando a acreditar que o que movimenta o ser humano não são as coisas, mas o olhar. O modo de olhar, de perceber, de observar, de encarar, de CONVIVER E SOBREVIVER com as coisas em seus estados de inércia infinita.

11 de dezembro de 2011

Antes de Ir



Vendo um filme na televisão, os olhos dela começam a piscar numa frequência maior, de longe, assisto àquela cena frágil, delicada e poética. O olhar começa a embriagar-se de vontade de ceder. Eu digo sussurrando: Te amo. Virando o rosto para mim, ela sorri como que estivesse escutado uma voz de outro mundo, do mundo dela, do interior pessoal.

O filme continua, o sono cresce e eu percebo o meu encantamento responsável de proteger tão lindo sono que nasce vagarosamente. Eu digo sussurando: Dorme, meu amor, sonha. Sonho contigo daqui onde estou. Ela vira o rosto para minha direção, solta um beijinho no ar. Penso: será que ela me escuta?

Acordo. Percebo que ela era um sonho que sonhava. Eu queria ser o sonho dela. O homem dos sonhos dela; mas inegavelmente não sou. Sou feito de carne, nervos, sangue e ossos. Não sou uma ideia que a agrade.

Mas, Deus, ó, Deus! Queria ser abstrato para penetrar-lhe sorrateiramente e invisivelmente. Ah! Sonhos, sonhos... quando estamos a sonhar não julgamos a todo modo estarmos imbuídos de realidade? Quando você sonha, você acredita nele. Para mim, basta acreditar nela e ela, em mim.

8 de dezembro de 2011

Os Contrários (ou Dialética-Barroca)





Somos
Fera, Bicho, Animal, Instinto,
Carne, Osso, Sangue, Vísceras,
Preguiça, Gula, Vaidade, Inveja,
Sujo.

Queremos Ser
Humanos, Humanos, Animais humanos, Educados,
Espírito, Alma, Paixão, Energia,
Vontade, Equilíbrio, Gentis,
Afáveis, Ternos,
Limpos.

Queremos Ser
Fera, Bicho, Animal, Instinto,
Carne, Osso, Sangue, Vísceras,
Preguiça, Gula, Vaidade, Inveja,
Sujo.

Somos
Humanos, Humanos, Animais humanos, Educados,
Espírito, Alma, Paixão, Energia,
Vontade, Equilíbrio, Gentis,
Afáveis, Ternos,
Limpos.

Somos o que queremos ser?
Somos o que escolhemos para ser?
Somos o que nos induziram a escolher, mas de fato o que escolhemos(induzidos ou não) é o que somos.

Em fase de fundamentação teórica...

Em breve: algum texto aqui.




Em breve: algum texto aqui.




Em breve: algum texto aqui.

5 de dezembro de 2011

Dos Dias nos quais Não Me Encontro





"Na linguagem corrente, distância é a medida da separação de dois pontos. A distância entre dois pontos é medida pelo comprimento do segmento de reta que os liga. Quando se fala na distância entre dois pontos da superfície da Terra, então a distância é o mínimo comprimento entre as possíveis trajetórias sobre a superfície partindo de um ponto e atingindo o segundo (geodésia)".

Wikipédia

3 de dezembro de 2011

Diálogo Cantado

Se queres sentir a felicidade de amar,
Esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.
Deixe o teu corpo entender-se com outro corpo,
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

Manuel Bandeira




- Me olhe, então. Só basta o teu olhar. Teu olhar virado. Teu olhar enigmático. Teu olhar parado. Teu olhar cansado. Teu olhar vivo. Teu olhar enquadrado. Teu olhar perdido.

- Olho.


- Mas eu não quero só o seu olhar, pois senão poderia fotografar. Quero o seu pulsar, o seu sangue, tua pele, teu respirar. Teu cansar. És um dos amores mais fortes. És uma dos toques mais incríveis. És o gosto mais sublime. És o que eu não sei, o que mais me alucina.

- Você...

- Não fale. Todas as palavras cabem no mistério dos teus olhos. Deixe que te leio em silêncio pelo tato do atrito entre minha mão e teu corpo. Vem! Deixe de ser virtual, encontre-me no infinito de duas linhas paralelas que nunca se tocariam! Não, não venha mais. Vamos! Nós dois, já pensou? Nós dois sendo três, quatro, cinco...

- Tá, tá, tá! Agora, chega de palavras bonitas. Vamos falar a linguagem do amor. Você, diz pra eu ficar muda, faz cara de mistério. Tira essa bermuda que eu quero você sério..........................................................................

2 de dezembro de 2011

O Amor e Outros Demônios






O que é o ser humano?

Todos querem responder a essa questão. Foi preciso espedaçar a ciência para tentar compreendê-lo e agradá-lo, satisfazê-lo... Existem seres humanos, e todos eles servem de palco para a criação e destruição. São verbos de ligação ambulantes. São seres rastejantes, terrestres que anseiam pelo ar, pela água. Acho que a melhor definição seria essa do palco, ou quadro, ou tela, ou parede, ou vaso que representam algo que o próprio ser pinta ou deixa-se pintar.

O que é o Tempo?

(...)

O que é o Sofrimento?

(...)

O que é o Amor?

(...)

O que é Deus?

(...)

1 de dezembro de 2011

Clowns de Shakespeare sobrevivem



Minha música para a voz de Caetano.

Ande...
de pés descalços. Machuque os pés,
e valorizará o sapato.

Deixe que o seu amor vá,
e fique,
e você será um poço de remorso!

Aprenda a zelar, saiba, antes, o que é amar. Distancie-se para ter a certeza de que
o amor nunca fracassa, nunca fracassará.

Humanos, seres humanos, inventivos, perdidos, autodestrutivos, construtivos.
A Maquiagem do teu rosto pode te esconder, mas nunca,
nunca, nunca irá deixar você deixar de ser você.

Ligue-se. Ate-se. Ame-se.
Conceitue, signifique, gaste.
Brás Cubas morreu de uma tal de emplasto.
Benjamim descobriu-se por um ventilador.
E você, você já tem essa músicaaaaaa.... que pode mudar, desatar os nós da existênciaaaa.

Aprenda a zelar, antes, saiba o que é amar. Distancie-se para ter a certeza de que
o amor nunca fracassa, nunca fracassará.

Muita merda, quebre a perna, quebre a cara. E viva, e aprenda, e aprenda a viver, meu clown!



Nos dias de hoje, trabalhar é imperativo. Depois que disseram que o trabalho dignifica o humano, nada mais se tem repensado sobre isso, isto é, nada mais tenho lido a respeito. Empenhar sua energia para a aplicação de uma força em determinado corpo: Trabalho. Há pessoas que o amam, há outras, que o odeiam, outras tantas, convivem em paz caótico e irrefletido.

Para entendermos a narrativa de O Palhaço é necessário uma entrevista exclusiva com o Selton Melo, devido ao recorte provocativo da vida do Benjamim. Muito pouco sabemos sobre ele, mas o riso partido é de uma doçura sem igual, um ar virginal, casto. Em meio a paz de espírito que ele "exala", vamos dando conta dos conflitos angustiantes de um ser que poderia ser outro, de um ser a beira do existencialismo.

Quantos anos ele tem? Aparece no filme? Não lembro. Mas ele aparenta estar passando por um período de aceitação da vida (que chega para uns e nunca para outros). O hábito de "divertir"(fugir do tédio) os outros, faz dele um ser que pensa o tempo todo o sentido de seu divertimento.

Vivaaaaaaaa!