30 de setembro de 2011

Tempero da Vida

Recentemente, observei um filme muito poético. Ele fala da relação entre um neto e seu avô, um senhor de muita idade que tem ótima "mão para cozinha"; intitula-se filósofo culinário, isto é, culinário-filósofo.

O filme passa-se em Istambul* e é repleto de flashback, pois o começo é bem pontual ao demonstrar a insegurança do neto em receber o avô dele, depois de tanto tempo separados. Nisso, o neto vai lembrando das manias do avô em pareceria dos amigos engraçadíssimos(perdem-se facilmente na orientação espacial). É justamente quando surge a questão de orientação espacial [leste, norte, sul, oeste) que , consequentemente, aparece uma das cenas mais lindas e que infelizmente não me recordo com grande maestria.

Trata-se do avô ensinando ao garoto o sistema solar. Ele usa elementos/alimentos da cozinha. Lembro do sol que é pimenta e das estrelas perdidas no universo, que é jogado "pro" alto, o açúcar. Por não lembrar dos outros, delego a você, leitora(o), o prazer de criar analogias espaço-alimentares.

Vivenciei muitas coisas no filme. Em especial, algo que pode me ajudar nos relacionamentos inter-pessoais. Um elemento. Um alimento. Um tempero que tem o poder de unir pessoas. Parece feitiçaria, mas é apenas uma humilde magia num mundo cada vez mais desencantado.

Hoje, aventuro-me...
...

Espero



Caetano canta por mim:

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor


E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim...

12 de setembro de 2011

Letrassangue




Festim: s.m. 1. Festa particular.
2. Refeição de pompa, banquete suntuoso.
3. Militar Cartucho sem o projétil ou bala para tiro simulado.

Diabólico: adj. 1. Que é próprio do diabo, que vem do diabo.
2. Infernal, terrível, funesto.

Eis um filme perigosíssimo, por isso mesmo também revelador. Várias perguntas são sucitadas em torno do ato mais repugnante dentro de uma sociedade: o assassinato. Porém, de modo ultrassofisticado, Hitchcok coloca filosofia, melhor, reflexões demasiado abstratas na cabeça de três personagens: um influenciador (professor) e dois influenciados (alunos do ex-professor).

A questão mais fundamental que percebo no filme é a capacidade de distorção de um discurso, ainda mais na relação professor-aluno(contemporaneamente, repleta de ironias, ambiguidades e permissividades). Nesta distorção, o objeto distorcido é um clássico: Nietzsche... que defende a ideia do super-homem, um ser capaz de ser suficientemente honesto e feliz com uma sociedade pura sem necessidade de religiões ou moralidades que os acorrentem. Defende a superioridade daqueles de espírito livre. Defende a alegria de aprender, isto é, aprender alegremente. Sobretudo, defende aceitando a dualidade da vida: a natureza cruel e cega e a harmonia dos elementos naturais que nos fazem respirar e conviver no/com/para/pelo caos.

Hitler apreciou Nietzsche, dizem.

Então, o assassinato é permitido para seres superiores. E quando se mata por puro prazer, o assassinato pode ser uma obra de arte. E a festa que Brandon oferece(poucos minutos depois de matar enforcado o jovem David , é, de fato, a conclusão de uma grande obra.

O que vale notar mesmo, no filme, na vida e neste texto é como os mecanismos de coesão pode levar-nos a um lugar onde não queríamos chegar (e pior, ficar, aceitar e incorporar). São os falsos sofismas que fazem iludir eleitores e ... leiteiros.

A nossa mente é um lugar vulnerável a tudo, desde que nós nos permitamos ao tudo que se pode. Professores, Pais e tantos Mestres, pesem e adornem vossas palavras.

Hitler apreciou Nietzsche, dizem.
Mas, acredito que Gandhi que superou a ponta da corda (o macaco), caminhou na corda bamba (o humano) e alcançou o outro lado (o super-homem).

7 de setembro de 2011

Dois Cês


Às vezes, eu penso que o Carlitos foi uma inspiração futuresca sob uma perspectiva da obra Drummondiana. O olhar, o jeito gauche, os atos.

Mas não. Não.

Categorização formulática dos filmes de Chaplin e dos textos de Drummond:

Eu ">" Mundo

Eu "<" Mundo

Eu "=" Mundo

Aplicável na nossa vide, né?