31 de outubro de 2011

O Evangelho Segundo São Mateus



Análise Espremível*

Dramaturgia

Sendo uma tessitura de textos, ou seja, composto de outros textos, por isso mesmo repleto de intertextualidade, a coesão é fantástica. Muito conativo, poético, metalinsguístico. Acima de tudo conativo e poético ao mesmo tempo.

Pretexto da Dramaturgia:
http://www.insite.com.br/art/pessoa/ficcoes/acaeiro/213.php

Atuação

Naturalista!? Talvez, sim. Bem, naturalista. Acho que os atores representam atores, artistas. Carta branca para serem quem são de verdade. Vezenquando interpretam atores decadentes, canastrões. Forte toque expressionista. Já a projeção de voz...

Direção

Não sei o que falar. Mas a mistura de linguagens e a ousadia de relação arte-público parece-me artaudiana. Tem muita coisa do Brecht, mas eu só sei da quebra da quarta parede. Tem coisas do Stanislavski, aliás este grande* é meio que ironizado bem nas entrelinhas, "colocar uma cruz, figurinos de época, diabo alegórico".

Cenário, Figurino e Iluminação

Singelo e simbólico o suficiente para não tecer mais nada de consideração. Apesar de mesas que nunca são usadas pelos personagens, aqui estaríamos entrando no plano da opção estética que é quase aquilo de gosto, que remete aquela frase que "cada um tem o seu".

Sonoplastia

Doce e um pouco apelativa demais. Funciona, comigo funcionou.

Encantamentos Notados

Quando eles falam da massa, parece-me que falam do corpo, atualmente sob angústia: uma mercadoria. A massa gosta de apanhar, depois, de ser acariciada.

Gosto muito da cena da menina, quando ela fala que Jesus pode ter sido uma imaginação, um mito. Mas que sei-lá, que bom que ele foi inventado!

Palavras que saem da boca (direto do coração). Mulheres que foram chamadas de prostitutas. Pecados modernos.

Opinião

Todo o espetáculo só funciona para o público se houver uma quebra de resistências constante. Foi preciso, para mim, assumir um esvaziamento de valores e ideologias. Ao lado de Cordel do Amor sem Fim, Till - A Saga de um Herói, Amaranta e Rebú, o espetáculo está sobre as coisas mais lindas que meus olhos contemplaram e contemplarão num futuro de lembranças.

No mais, e para mim mesmo:

Foi comovente, e isso não me trás nem alimenta maiores explicações lógicas e coerentes. Assim como Clarice, uma vez, com vontade de falar, com um hesitar, termino com os dois pontos, que para mim é como termina o espetáculo:

29 de outubro de 2011

Manifesto à Reignorância das Coisas In*ú*teis

Resumo para quem não quer ler por completo:
Tente enxergar os PENSAMENTOS seus sob perspectiva de quem está numa maca de uma UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA.


Para escrever sob o marcador de Reflexões Filosóficas, sempre estudo um bocado antes. Para escrever isso que vos escrevo, leitor, precisei assisti a uns dois vídeos sobre Foucault, outros sobre Epistemologia e ler algumas matérias e artigos. Unh, conhecimento fragmentado, você pode estar pensando. Que você pense o que quiser. Aqui é um Manifesto!



Se eu fosse político do Ministério da Educação faria uma reforma educacional bastante polêmica. É preciso rever o que os nossos estudantes estão estudando, considerar o grau de maturidade e o nível intelectual.

É muito angustiante observar alunos fazendo balanceamento químico, reações, calculando massa molar. Ah, que se ensine, sabe, leitor? Mas que se diga para quê! O conhecimento precisa passar pelo filtro do:

O quê?
Para quê?
E como?

É frustrante, para mim, escutar conversas de amigos superempolgados num assunto, num assunto... ah, tá, é direito de cada um. Mas, e o silêncio? Por que o ser humano foge do silêncio de uma maneira tão radical? Sempre estar falando para agradar, para ser simpático, DEMONSTRAR INTERESSE..

Vamos falar de pornografia, da morte, das topadas e suas filosofias que perpassam o nosso cotidiano. Vamos falar do filme da Sessão da Tarde, do nosso primeiro beijo, de uma conta de matemática que se refere a uma P.A. duma* dívida maldita que não para de crescer.

Vamos quebrar esses paradigmas infelizes de que Conhecimento Nunca é Demais, ATÉ PORQUE SIM, ELE É. Conhecer demais causa angústia e outras desgraças. CONHECIMENTO É PODER só quando você é beneficiado pela sorte, SORTE de ser filho de um barão, passar num CONCURSO PÚBLICO, e antes disso tudo NÃO TER MORRIDO DE FOME.

Não quero proclamar uma SOCIEDADE DESINFORMADA, VELADA, ALIENADA. Queria propor uma reflexão sobre a FUTILIDADE dos meus e dos seus pensamentos sobre coisas muito eruditas. O que interessa, de fato, é a banalidade e a trivialidade dos acontecimentos. E não nego os devidos valores a gênios clássicos e carrancudos, mas se não tiver finalidade prática... Até que não tenha, sabe, mas que seja útil para tornar você uma pessoa melhor(melhor no sentido de que você sinta-se bem consigo mesmo, no silêncio, no banheiro, sentado ou sentada no vaso sanitário).

Filmes, Artigos, Relatório, Monografias, Dissertação, Ópera, Teatro, tudo isso é TEXTO. O PRETEXTO é sempre a VIDA de quem POUCO PENSA, e Muito Faz.

Falem menos, meus intelectuais idiotas! Escutem os ditados populares, intelectuais imbecis! Abram os ouvidos para escutar a verdade que é feita de pó de estrada e não pó de livro, filmes e documentos.



Meus intelectuais idiotas, lembrem de que a existência precede a essência! Respeitem as mentes diversas que, às vezes, mentem para si mesmas por necessidade, vontade, ou até mesmo, bel-prazer. Usem da Linguística para pensar.

Meus intelectuais idiotas, o português correto, puro e perfeito só existe na cabeça de cada um de vocês e só funcionam numa sala onde só vocês estejam. Aí, usem da sintaxe e da prosódia no ritmo frenético de um Caetano Veloso apelativo pós-tropicália.

De gênios em gênios, eu sempre fico com Woody Allen. Ele que faz da filosofia um acidente casual nos seus filmes. De gênios em gênios, fico com Alberto Caeiro e com Clarice Lispector quando diz:

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

Clarice Lispector


Mas que fique bem claro. O conhecimento só é desprezível quando se o tem. E se for para pensar, penso com a cabeça e depois vou irradiando o pensamento pelo corpo todo.

CRIE SIGNIFICADOS, PRODUZA SIGNIFICADOS, REINVENTE OS SIGNIFICADOS

(E pensar que a Filosofia que surgiu de um "simples" questionar para amenizar uma pertubação espíritual, transformou-se num emaranhado de coisas que sufocam os seres humanos).

Espero que tenha entendido o que eu quis dizer, ainda que por meio do resumo.

28 de outubro de 2011

O Espanto


Distante da casa, pela janela ela olhava o ar cabisbaixo do boneco de farrapos. Exposto numa cruz, como Jesus Cristo ou como Judas, estava expusando os males da humanidade. Toda a metáfora da condição humana estava nele, cravado nele.

Aves sobrevoavam os arredores das plantações de trigo, e ele fingia ser um humano. A menina entristecia-se pela incapacidade do amigo; a situação intensifica-se quando um abutre pousa no seu ombro fictício. Uma bicada, outra bicada, sucessivas bicadas provocam uma lágrima que percorre o rosto clássico da menina do campo. E uma lágrima é ponto de partida para uma cachoeira. Tal como Prometeu Acorrentado ele fica inerte pagando por uma dádiva sobre-humana.

Sofya olha os finos braços, o falso nariz e percebe-se tão frágil quanto o amigo crucificado. Identifica-se com a imperfeição, com a ignorância, mas não reconhece o amor sublime que o crucificado representa à humanidade. Sofrendo ali, sem expressar os sentimentos que quer, reprimido... calado, subjugado, subordinado.


O Espantalho, de tão feio e deprimido, disse:

- A falta de beleza não se deve a minha falta de verdade. Sou feio porque assim me criaram. Sou feio para não estragarem tua plantação. Protejo-te afastando o perigo de ti, e angustiamente, afasto-te. Meu amor é de vidro, e todo dia quebra-se ao ser observado pelo seu olhar simplista. Você nunca irá me reparar, me perceber. Mas eu estarei aqui, te protegendo do mal.

A mensagem é levada pelo vento aos ouvidos da menina. Mas no percurso, aos ares do campo, perde-se um pouco, soma-se alguns cantos dos passáros, alguns ruídos de máquinas e respiração de sestas. Chega algumas palavras ao ouvido dela.

- Faço isso por amor, um amor que nem mesmo um ser vivo é capaz de sentir. Um amor passional ao extremo. Um amor que é dor e paixão. Um amor de pedra, rocha...


Então, os pais dela abrem a porta e chamam a menina para ir às compras do mês. Adolescente que é, enxuga o rosto e vai.

- O que foi, meu anjo?

- Nada, pai. Só bobagem (minha primeira bobagem).

Lá fora, o espantalho é desfeito pela dança dos abutres. Dentro do carro, a menina observa a maldade vivaz sobre a cruz nas plantações, enquanto a distância vai se realizando. Sofya pensa: Amanhã, farei mais um outro espantalho.

26 de outubro de 2011

Leonard Zelig e Os Outros



O filme de 1983, de nome-título Zelig, lembra-me muito um conto fantástico do Murilo Rubião, Os Dragões. Mas não pretendo escrever sobre tal aproximação. Pretendo escrever sobre o grande ponto filosófico do filme: até que ponto nós somos nós mesmos? Ainda mais agora em meio a tecnologia cibernética. E não quero ser visto/entendido/lido como purista. Tento refletir, por uma consciência efêmera baseada nos bits da rede social, sobre quando nós não somos nós mesmos para tentar ser o outro. Tento refletir acerca do momento em que nossa felicidade é exterior a nós mesmos e encarnada no outro.

Psicótico ou neurótico, o nosso personagem-título foge às convenções habituais. Nasceu predestinado, coitado. Teve de carregar o peso insuportável da vida determinada, assinada, carimbada com todo o direito da burocracia de órgãos públicos. É um sofredor, mas às luzes dos holofotes do mundo americano, o sofrimento é louvável. A ideia do sofrimento, o ideal de sofrimento, a catarse aristotélica, a purificação do espírito. Jesus Cristo exposto na sala de estar, crucificado, mortal, sangrando, redimido, finito. O nosso Leonard, é um Jesus Cristo sem poder.

Em certa festa, conversou com diplomatas, deu ordem na cozinha, tocou instrumentos musicais. Cresceu com mania de querer agradar aos outros, a primeira lembrança disso vem da escola. Em certa aula, a professora questionou toda a turma sobre quem tivera lido "Moby Dick", todos da classe, exceto ele, leram. E naqueles poucos segundos de mãos que se levantam e ficam levantadas, Zelig mentiu, mas antes de ter mentido, sofreu pressão social. Inicia-se a aventura homérica do homem camaleônico que viveu intensamente na década de 20, escrito, dirigido e interpretado por Woody Allen.



Leonard Zelig é um bom selvagem que vai se deixando levar pelos outros, só assim ele poderá viver no seu tempo. Uma grande lição do filme seja o de aceitar a realidade, moldando-se a ela. E nós já não seremos uma essência, um uno; nós tenderemos a ser um produto do meio, um ideal de Durkheim. Vigarista? Político? Continuo pensando nas condições de neurose ou psicose.



A questão levantada inicialmente, de nós não sermos nós mesmos, rompe-se e dissolve-se aqui. Ser o ser é impossível. Somos o que somos é impossível. É preciso, muitas vezes, separar o poético dos fatos. Ser e estar são verbos de ligação. Ninguém é o que é; alguém é alguma coisa baseada em outra coisa. Não que sejamos exatamente, prontamente, integralmente um produto do meio; nós somos a visão que temos do meio e, consequentemente, a soma das coisas que nós aceitamos e incorporamos a nosso comportamento. Zelig é um caso especial, visto que ele não filtra o que é bom para si; tentando agradar, ele vai descontruindo a própria identidade.

Imputa-se, importa, percebe-se que com técnicas visuais fascinantes, um roteiro fraquinho e compulsivo, uma interpretação realista-naturalista-fantástica, o diretor/ator/roteirista Woody Allen empreende uma espantosa ideia típica dele: um sujeito espantado com o mundo que o cerca, o pressiona e tenta defini-lo.

As Primeiras Vezes

Meu relacionamento com o Teatro aconteceu por acaso. Tinha ido assistir a um ensaio da minha prima, ela participava de uma companhia chamada Cisne Selvagem. Eles estavam ensaiando um espetáculo chamado Psicose. Eu tinha meus onze anos. O elenco era bem maduro, mais idade.

Tinha uma cena que um garoto de mais ou menos minha idade tossia; era um efeito de sonoplastia. Naquele dia, o diretor percebera minha presença e quis imprimir um toque realista à cena. Lá estava eu atrás de um banquinho, tossindo. Minha primeira participação.

Fiquei na companhia. Fiz Rabicó, do Monteiro Lobato; fui todo pintado de rosa. Eu bem gordinho e fazendo grunhidos: "Oinc, oinc, oinc...". E já pequenino gostava do ator que fazia Visconde, eu queria ser o ator que fazia Visconde. Ele era engraçado. Como a maioria das crianças, gostava do engraçado e daquilo que me é estranho. Até hoje guardo uma vontade enorme de representar o Visconde.

Com um tempo, houve a proposta de eu fazer o Pedrinho. Faltava uma semana para uma temporada. Eu não consegui decorar, tive de abrir mão. E um ator veterano supriu a necessidade. Com um tempo, concorri com um ator para o papel do anjo Gabriel. Meu apelo era a minha idade e meu rostinho angelical. O apelo dele era a elegância, a brancura, a voz; ah, ele era um ator de vinte e poucos anos, e eu, um esboço de ator. Ele ganhou. E eu me desdobrei em dois personagens os quais não lembro o nome. Um, se não me engano, era filho de Herodes, o outro era um... não lembro. Mas fiz dois personagens.

Daí, tive de me afastar do Teatro. Motivo? Preconceito familiar, notas más na escola, indisciplina e rebeldia, sem contar que minha prima tinha saído também; no caso dela, pura opção, tinha começado a namorar. Só retornei quando comecei a trabalhar, com os meus dezoito anos. Aí, ninguém poderia me segurar ou implicar com os meus próprios investimentos.

É onde estou até hoje, desde 2008. E é a partir daqui que quero detalhar as coisas e causas.
...

25 de outubro de 2011

Brincando de Persona




Agora, você existe, tá? Você tem olhos verdes, fala complicado, nasceu na África. Tem 1,69m, magro na medida incerta. Gosta de filosofia, Caetono Veloso e outras drogas intelectuais. Você se parece comigo, querido! Mas, entenda que você não sou eu.

Eu vou brincar com você. Eu vou te colocar num lugar onde você nunca esteve.

Agora, você está num lugar totalmente branco. Um lugar onde seus olhos tentam enxergar cores, mas só há o branco. Sua roupa é branca. Assuste-se! Ande, assuste-se! Isso. Quero te ver chorando.

Eu acho lindo quando você chora! Olha, repara no espelho que eu coloquei neste lugar branco. Enxerga? Seus olhos brilham, menino! Você é lindo demais! Perceba-se. Acredite em você. Invadindo o teu psicológico, você não acredita em você. O que eu devo fazer?

- Por que você está fazendo isso comigo, narrador?

- Por que eu gosto de estados tristes, densos, naturalistas.

- Mas eu sou tão parecido contigo! Num faz isso comigo! Por favor!

- Desculpe-me, meu caro!

Ele está de frente para todas as pessoas que o encataram. Todas as pessoas estão sendo veladas por grãos de areia de uma praia na qual ele nunca esteve. Os grãos de areia gargalham como rinocerontes indo ao ataque. Todas as pessoas mortas, não vê?

- É mentira!

É verdade. Tente imaginar, tente perceber que a imaginação é uma realidade antecipada, meu homem! Veja. Berra! Grita! Imagina, por favor!

- Não tem jeito, narrador! Não tem jeito. Estou sufocado num niilismo maldito! Desculpa.

Tem jeito!

- Tem?

Você não é eu. Você nunca foi. Você é uma praga, uma leitura errada de conceitos filosóficos. Eu preciso destruir você.

- Você não acredita em mim.

Não, meu caro. Eu preciso acabar com você!

- Mas eu sou você.

Hum, não tanto. Dividimos o mesmo corpo, por isso mesmo o mesmo coração, a mesme mente. Mas eu vou te buscar onde você estiver. Eu vou acabar com você.

- Num faz isso comigo.

Eu sinto compaixão de você, sabia? Eu queria cuidar de você, da sua depressão desmedida e ilógica. Todo esse sofrimento antecipado de coisas inevitáveis. Inevitáveis, meu Deus! Chega de Tragédias! Deixa a tragédia pro final!

- Mas, entenda...

Não! Não vou entender! Minha reza diária será no intuito de te caçar no meu incosciente. Quando eu te encontrar, meu caro, quando eu te encontrar, ou você será um gatinho morto ou um leão feroz!

- Então, venha, seu babaca!

20 de outubro de 2011

Notas sobre um certo vídeo cartesianista

É preciso a primeira verdade e daí desenvolve-se a segunda, terceira, quarta...

Se você é inteligente e eu sou inteligente, quem está com a verdade? Se eu viajo para outro lugar com outros costumes, outros deuses com quem está a verdade?
Existem saberes diferentes...

Investir nas dúvidas..

A razão caminha entre o universal e o necessário. Racionalidade é colocar as coisas sobre o julgamento da razão.

Se eu não penso numa coisa é por que tem um gênio maligno que não me deixa pensar... o gênio maldito faz a lógica ser ilógica.


Existem dois tipos de filosofia:
a penso, logo existo e a existo, logo penso.

Oração




Universo, Seres, Deus,
escutai as minhas preces!
Dai-me lucidez,
a fim de que eu esteja consciente dos meus atos.
Abre-me os meus olhos e os meus poros,
a fim de que a minha vida não tenha tempos mortos e letárgicos.
Preenche-me do sopro da vida e faz-me levitar sobre
os destroços do mundo pós-moderno.
Dai-me paciência, ó Deus Harmonia!
Dai-me tolerância, ó Caos Maldito!

Universo, Seres, Deus,
escutai as minhas preces!
Renova a minha fé perante todas as dores do mundo.
Enxuga as minhas lágrimas vertidas pelo sofrimento do outro.
Preenche-me o espírito de felicidade desmedida.

Livrai-me do Ceticismo, Ateísmo e Niilismo!
Que seja esclarecido o princípio fundamental, a primeira verdade!
Que eu seja compreensível aos saberes diferentes e ao desconhecido que pode apavorar-me.
Que esteja sempre disposto ao Espanto e à Admiração!
Que eu duvide dos fundamentos e não das coisas!
Que eu tenha muitas paixões e não desenvolva vícios.

Universo, Seres, Deus,
não me abandonem por eu ser este fraco,
vulnerável, infame, miserável!
Tenho todos os defeitos do ser humano,
aperfeiçoai-me as virtudes.

Faz-me justo.

Acima de tudo, peço a verdade.
Peço a realidade, a verdade e o amor.
Conduz os meus passos comedidos por sobre a corda esticada.
E que eu não seja capaz de fazer da corda sobre os meus pés, a forca do meu pescoço.

Amém.

18 de outubro de 2011

Identifique-se



As pessoas assumem o papel de protagonista de suas vidas; incorporam, dentro de certos limites, um dos três possíveis arquétipos literários:

Herói
Repleto de valores nobres e preocupado com o bem comum. A vida está em função das pessoas de quem ama. É o típico vencedor. É o predestinado ao final feliz, e depois disso correrá sério risco de morrer de infarto.

Anti-herói
Triste figura que desempenha todo o fracasso dos seus atos. Problemático e inapto a vida do momento em que vive no seu contexto social; sofre e é um dos mais ricos dos seres humanos, mas não se deixa conhecer pelo outro. Não se permite à vida. Predestinado à monotonia, à repetição e ao niilismo. Possível óbito por razões suícidas.

Herói Trágico
Pode ser entendido como um misto entre o anti-herói e o herói. No entanto, os seus atos são lançados a frente de sua vida. A vida desta pessoa é guiada pelo lema "Aqui se faz, aqui se paga". Comete erros, faz más escolhas, é desmedido e intolerante. Aproveita a vida de qualquer forma: de tudo ao nada, comendo uma maçã ou fumando drogas. Predestinado à queda, à decadência. O óbito é o mais enigmático, mas o mais aterrador e alucinante.


É de extrema relevância um estudo mais apurado e profundo sobre o psicologismo dessas minhas palavras. Para mim, de nada resta senão a audácia de tentar caminhar sobre o arame farpado que divida dois lados da minha vida: o heroísmo e o anti-heroísmo. Mas sou, deveras, um anti-herói.

16 de outubro de 2011

Dia de Chuva em Petrolina




"O título deste texto faz alusão a um conto chamado Dia de Chuva em Macondo cujo autor é Gabriel García Márquez; a fotografia é de uma artista cujo nome é Miza Limões"


Amanheceu o dia, amanheceram os pensamentos com dúvidas e dogmas. Já estava acordado quando meu irmãozinho de dois anos chegou me abraçando, eu ainda deitado. Aquele calor ingênuo, aquele cheirinho de frescor de vida, aquele toque suave, sublime... E o cheiro de uma chuva anunciada. Um céu mascarado de límpido, transparente. Um céu dissimulado. Eu tinha de ir para o ensaio do teatro.

Joguei, permiti, ousei, transcendi... fui mais e mais, além do mais. Imaginei, acreditei. Fiz tudo como se fosse o dia da minha grande despedida do teatro do mundo. Estou vivendo assim, com um ar de ir embora. Pasárgada, Macondo, Reino das Águas Claras, tanto faz! Não tem muito sentido falar isso agora mesmo. Quem sabe se com as àguas do céu, eu seja levado para um desses lugares. Errei, acertei e a chuva, nada. O céu continuava dissimulado, forçando um calor miserável para enganar os meus sentidos. Estou enganado, não chove hoje, pensei.

Teve o momento do almoço, o momento do lanche da tarde e o momento do café ou janta, e a chuva, nada. Quando o ar da noite tocava, roçava minha pele, era claro, era evidente, era a humidade sem nenhuma pretensão de ser humilde. Choverá, pensei, e não chovia, observava. Um impasse maldito foi alstrando-se no meu ser. Já chovia por dentro, eu me transformava em chuva. Isso devido a um jogo dramático o qual deveria ser realizado tendo como matriz energética(vocábulo técnico do teatro, designando o lugar donde irradia energia para o corpo todo) a coluna vertebral. Minhas vértebras disassociavam-se e chovia, chovia! Meu tronco parecia plástico, parecia aquele lápis que entorta até certo limite.

A grande tempestade foi chegar próximo, tão próximo de uma amiga, e de um amigo. Ficar próximo demais, ainda que resvestido de personagem, era eu, era eu, era eu! A relação com o outro, com o parceiro de jogo, dava-se pela coluna. Lá estávamos, nós dois. Eu chovia, chovia muito e por muito pouco eu não chorava. Sabe por qual motivo eu chovia? Por ter suportado tanto durante muito tempo. Eu sempre estive carregado, cinza, enigmático, profético. Eu faço esse tipo de pessoa. Eu sou uma pessoa de céu fechado, que fique claro. Não sou o céu de um belo dia, de um belo amanhecer, de um entardecer ou amanhecer do fetiche dos enamorados. Sou um céu carregado, cinza; capaz de provocar a fertilidade e arrancar plantações. Mas não estou aqui para falar de mim, ao menos somente.

Queria falar do encontro com ela, mas as letras são insuficientes. Só quero deixar registrado: estive embriagado de você. Muito mais além. Parodiando um certo personagem, estive acima do amor e da verdade. Tal palavra que expresse o ato de superar amor e verdade, para mim, ainda não existe no meu dicionário. E a chuva, nada.

Quando parei e pensei, se a chuva vier, já não há grande importância. Foi aí que ela veio. Vestida das cores da saudade, para provocar, aposto. A chuva veio somente para intensificar a saudade de alguns minutos atrás, dos exatos instantes no qual eu estava com você, chovendo.

12 de outubro de 2011

Crianser




Crianser é um novo verbo inventado por mim.
É um verbo de ação e estado, pode?
Num sei.
Mas vem lá do substantivo mágico Criança.

A conjugação é regular, mas o comportamento é imprevisível.
O verbo entrará naquela lista que decoramos na Educação Fundamental:
Os seres vivos, nascem, crescem, reproduzem, criansoam e morrem.

A Conjugação só é possível no Presente.

Eu criansou
Você criansoa
E assim:
Nós crianças seremos.

...
...
(Fotografia de Miza Limões)

8 de outubro de 2011

Os Problemas dos Hojes



A apresentação

Coloco-me diante de um questionamento inquietante, sem a menor audácia de responder-me plenamente*, tão qual conformar-me a uma resposta segura e incontornável. Saberei que sou um iniciado, o erro será um pretexto. E a questão?

São questões. Estou buscando conhecer, em termos abstratos, a noção de liberdade. Há pouco, vejo mister saber da Verdade. Eis que este texto será construído a duras penas, em doses homeopáticas, sob soluços e vacilações de um sujeito que busca conhecer-se para, enfim, conhecer o seu mundo. Ou seria o inverso? Vá lá, deixe que seja o inverso.

O caminho é partir do universal ao particular. A escolha é chegar num lugar por mérito próprio, do contrário leria alguma obra existencialista. Quero trabalhar, portanto, quero aplicar força em determinado corpo(abstrato).

Pré-conceituações

Antes do próprio homem existir, antes da própria humanidade ser gente, especula-se que havia "animais animalescos", visto que somos "animais humanos", em luta para ser humano, sonhando por uma super-humanidade. Os animais animalescos eram livres e subordinados. Livres para fugir a qualquer momento, subordinados ao serem capturados e subjugados a lei do mais forte. Mas ainda assim daria para fugir.

Antes, tudo era regulado pela lei da sobrevivência. Hoje, tudo baseia-se na lei da convivência. E depois? Depois, depois? Não convém, mas fica a seu critério a possibilidade de prever. Eu, particularmente, acredito que depois...


Conceituações


Considerando o fato de sobreviver e conviver, a liberdade e a verdade misturam-se e separm-se para nosso entendimento.

Uma Consideração Inoportuna

Estou me sentindo um filósofo. Mas, leitor, leia com os olhos da desconfiança de um sujeito duvidoso e de personalidade turva.

Continuação das Conceituações

A nossa sociedade pós-moderna convive com um grande dilema: A Liberdade é a capacidade de ser plenamente livre? Lógico, para mim, que não. O conceito de plenitude, nos dias atuais, é demasiado utópico. Acredito que a plenitude só cabe aos marginalizados e àqueles que conseguem sobreviver com as leis da justiça muitas vezes injusta. A plenitude também está nos olhos dos alienados.

Voltando a liberdade. Ninguém poderia ser livre totalmente. Ser livre totalmente é de risco imenso. Pense bem e tente assustar-se. Você é livre, em termos para:

- Humilhar
- Matar
- Roubar
- Xingar

Mas saiba que haverá consequências refletidas na sua RESPONSABILIDADE DE SER LIVRE. O poder de escolha é a mulher Desgraça mascarada de "divina e profana" Dádiva*.

Graças a Deus ou ao Ser Criativo, e é a ele mesmo a quem devemos agradecer. Seja você ateu, agnóstico ou antipático. Ele é a nossa fonte da convivência. É o homem que tudo vê e sabe. É o nosso Big Brother. É, meu caro intelectual, É a Deus a quem devemos creditar a sorte de não ser espancado por duvidar da existência Dele. O todo poderoso é o princípio dos Direitos e Deveres Naturais. Ele é o fundador oficial da instituição família e na maravilha que protege-nos do mal, o DIREITO.

Cabe, no entanto, dizer que a Verdade guia a liberdade. Como assim?

Complicações

7 de outubro de 2011

Zelo



"Meu amor, essa é a última oração
Pra salvar seu coração.
Coração não é tão simples quanto pensa,
Nele cabe o que não cabe na despensa(...)"

(A Banda Mais Bonita da Cidade)

E quando você começa a pensar com todos os sentidos do corpo, você começa, também, a viver com mais sentido de vida. As cores mudam devido a mudança do cheiro que tornou-se mais intenso.


E quando você começa a pensar com todos os sentidos do corpo, você começa, também, a viver com mais sentido de vida.

ZELAR E SELAR TODO DIA UMA GRANDE HISTÓRIA.

1 de outubro de 2011

Semáforos



"Oh, minha mão do céu.
Oh, meu pé do chão.
Eu não ouço vocês,
Eu não ouço vocês,
Eu não creio em vocêêêêêê..."