
Pessoas que acreditam que o mundo pode melhorar, crentes que ele está prestes a acabar, mas a humanidade terá uma salvação, isto é, uma libertação. Lenine, cantor pernambucano, já disse em entrevista: "Minha mãe acreditava que ir á igreja é comunicar-se com Deus, enquanto meu pai não acreditava em Deus e desde os oito anos ele permitia que os filhos optassem em ficar em casa para poderem se conectar com o divino de outra forma, pela música".
Penso que o pai do Lenine não seria tão gentil em atribuir religiosidade (aqui na conotação de relligare, reconexão com o divino) em qualquer música. Teríamos que clarear o conceito de divino, mas na ânsia de clarear poderíamos chegar a obscurecer, como acontece nesse monte de textos acadêmicos. Por isso, divino deve ser entendido como uma sensação estética que beire o metáfisico e, por isso mesmo, o transcendente.
É isso que acontece comigo quando escuto a musicalidade "Coldplayliana". Claro que preciso de algumas condições para que sinta a minha alma pelos meus dedos até as pontas dos cabelos. Com isso, acredito que Coldlay cumpre a principal função da música moderna: em tempos de falta de religião, sentidos de vida e niilismos geradores de depressão, a música salva.
Agora, eu fico aqui me pergutando por qual motivo ela me faz conectar com o divino mesmo?
Bem, poderia ser bem pragmático e elaborar uma lista. Mas de maneira delicada, discorrerei em bula de remédio de composição química tal qual o Lenine que formou-se em Engenharia Química (sabia?):
25% de pianolina ou violino.
20% de voz crescentina e sussurada, vezenquando.
10% de preocupação social e boa reputação.
20% de um refrão pop que grude na cabeça como uma oração seguida de riffs comportados e cores alucinantes.
25% de ... segredo, mistério, obscuridade, nonsense principalmente nas letras da música!
Para mim, a música do Coldplay(do disco Viva la Vida à Mylo Xyloto) é um louvor ao que há de melhor e de Deus dentro da gente. Digo mais: a música tem o poder de movimentar, bem sabido, algumas agem do corpo ao espírito, outras, do espírito ao corpo. Não há dúvida em qual categoria a banda de "Rock calcario"(como intitula o vocalista e líder da banda) esteja inserida. Assim, acabo de descobrir de que em mim, em nível musical, espantosamente, a essência precede a existência.
Comprove o que eu digo, escute Life in techinocolor, quem sabe Paradise. Agora, você tem que saber que há contraindicações do efeito químico. Você precisa ter um som que não tenha ruídos, precisa se concentrar um pouquinho, pedir um pouquinho de silêncio aos familiares ou pessoas que dividam o quarto e deixar que tudo fluirá. Você vai ver, ou melhor, sentir.











