31 de dezembro de 2012
2013, Você vai me surpreender
Muitas coisas eu não fiz em 2012.
Não li o suficiente de Shakespeare.
Não aprendia a tocar minha gaita.
_
Vou tentar mais uma vez, vamos lá.
Quero aprender a tocar gaita.
Quero ler mais 7 livros de Shakespeare.
Quero ter uma melhor noção de Inglês e Francês.
Quero saber mais sobre Literatura, em essência.
Talvez eu queira fazer uma nova tatuagem.
Quero ser mais sensível.
Quero ter amigos verdadeiros e bons.
Quero conseguir a transferência para Petrolina.
Quero retornar a facudade.
Quero me deleitar Afrowoodysiacamente.
30 de dezembro de 2012
Dos instantes
É, eu sei, fim de ano, e com isso Alegrias, Desejos, Novas Esperanças e Sorrisos.
E entre confetes, confeites e confeiteiros, me sinto uma cereja perdida num bolo enorme; e meio que nessa metáfora me pergunto:
Se não me falta quase nada, talvez, nada, como posso sentir a ausência de tudo? E por qual motivo posto isso aqui, pra espetacularizar os meus sentimentos?! Promover minha solidão!?
Ai, ai 2012, vou me despedindo de você e sentindo que você não vai embora assim. Você me marcou, me estigmatizou de várias maneiras; você me arrancou algumas esperanças, me impôs muitas in-intra-decisões, me levou de coisas preciosas e me mostrou um ser iluminado.
E lá vai 2012, que entre confetes, confeites e confeiteiros, me estigmatizou, me condicionou, me furtou, me feriu.
E lá vem 2013, um ano feito pra me superar.
(é, no dicionário isso talvez seja um exemplo de: me.lan.co.lia)
22 de dezembro de 2012
Visão de Mundo
Nas aulas que tive sobre arte, muitos professores falavam que a obra era um modo de ver o mundo do artista. Assim, teríamos a lógica: Eu vejo, eu sinto, eu expresso. No meio dessa lógica existe o que é substancial tanto para o artista quanto para o apreciador de sua obra, é o "que sinto".
A internalização das coisas e o modo de tratá-las é o que produz a obra, dentro dessa lógica. Mas na minha imaturidade de aluno de arte, não levava em conta que o artista pode responder contrário ao que expressa... são variantes que definiram por ironia, escapismo, e outras histórias.
Com isso, não quero dizer muita coisa, senão dizer que a vida é sempre uma vida enxergada de um lugar, de um modo, de um tempo.
7 de dezembro de 2012
Ei
Alguém tem de te tirar do centro, fazer notar as extremidades e dizer que todo percurso é longo se você não notar que este alguém que te fala está contigo. Ei, nota-me. Ei, pergunte-me. Ei, só outra existência pode validar uma outra existência.
15 de novembro de 2012
Para Confundirmos
Devo saber que ser feliz não é necessariamente estar alegre ou mesmo ser alegre. Alegria é entusiasmo, Felicidade é felicidade. Se eu pudesse ressignificar felicidade até a faria, mas sinto uma profunda incompetência para trabalhar com esse termo.
A Felicidade é a mania do século XXI, E O ESTRESSE o seu oposto. Daí que nós ficamos no meio desse fogo cruzado, querendo normais seres como todos os outros cidadãos felizes(repare que felicidade quase sempre expande na nossa mente um sorriso aberto, show pirotécnico); mas seria bom se nosso pensamento começasse a reexprimir uma cadeira de balanço, uma rede, um sorriso de lado(isso é alegria, algo mais valoroso para mim que a própria felicidade). E por voltar a falar na mania e seu oposto, tenho de começar a esquecer da felicidade. E torcer para que eu esteja sempre alegre.
Se eu pudesse ressignificar com muita conveniência essas duas palavras que se ligam com uma ponte sobre um mar de possibilidades, eu ressignificaria.
E sabe, pra mim se é alegre em estar triste,
mas não temos permissão da felicidade na tristeza. A Felicidade é uma megera que nunca dá muitos bons romances e muitas boas músicas!
10 de novembro de 2012
Lava Outra, Lava Uma
Hoje, tirei o dia pra colocar minhas roupas sujas no varal. É que parecia que choveria aqui, é que parece da minha saliva ter sabão e da água da chuva enxaguá-las(as roupas) sem precisar de uma lavadoura. A Natureza é a melhor lavadeira de todos os tempos, amor.
E sabe como a chuva veio? Vei de Ar-naldo Antunes. Veio concreta, veio esperta, veio feliz.
E minha saliva parece mesmo ter sabão, pois enquanto eu cantava sem medo a espuma surgia... e se você estivesse mais perto de mim, meus lábios até poderiam deslizar em ti.
14 de outubro de 2012
Destinatária: Você, completamente
Eu sou um cara triste, será que me aceitas assim? Tenho vontades estranhas em horários estranhos, tenho desejos rápidos e fáceis de serem realizados mas se demoram de se concretizar acabam por desintegrar-se do meu tempo. Às vezes, não falo coisa com coisa, e você pode me achar nonsense, maluco, doido, neurótico.
Muitas garotas do tipo que gosta feito você, amam e são fascinada por garotos heróis. Eu sou um herói, mas não uso aquele uniforme escandaloso, aquela temeridade absurda, aqueles explosivos, aquelas expressões, aquele otimismo. Sou um herói que consegue cumprir a missão de comprar um pão, comprar legumes, limpar uma casa, ler e comentar um livro e assistir a filmes sem mortes. Não sei se creio em Deus, mas ele me protege, acho que é muito devido por minha mãe ser muito fiel a Ele, deve se sentir responsável por mim também.
Mas. Se tem uma coisa que você vai gostar em mim, é a disposição que tenho para ser o melhor namorado do mundo. A disponibilidade pra atender suas ligações até quando eu estiver assistindo a um filme do Woody Allen. Você vai gostar de assistir a um filme dele comigo com uns rápidos comentários meus que serão intercalados em beijinho na mão e soprinho no ouvido.
Se eu te cansar pelos papos sempre sérios, por não ter muita piada no repertório... a gente poderá sair e ficar dando risada de alguns absurdos da vida. Perceber os milagres de cada instante. Tomar um sorvete e falar bobagens sobre as reportagens e manchetes do Jornal Nacional de ontem. Ah, claro, a gente poderá discutir o pensamento de alguns filósofos.
Mas deixa eu te contar o que faria com um dia inteiro ao teu lado:
Primeiro, você teria de chegar. Ou eu mesmo posso chegar. Ou quem sabe nós dois já possamos estar no mesmo lugar. E eu te elogiaria pelos cabelos tão lindos, que sempre me fascinam nas mulheres e me deixa ais que fascinado quando são os teus. Certamente, envaidecida sorriria e diria que estava sendo bobo. Eu provavelmente pensaria dizer algum trocadilho, mas não sou muito bom nisso perto de você que é expert em frases rápidas.
- Estou preparando algo pra gente.
- É?
- Ahan.
- Você nem sabe que tem acontecido comigo, meu pai casou de novo.
- Que coisa boa!
Você diria que era horrível. Que seu pai já tem idade pra ficar em casa. Eu discordaria, você fortaleceria seu pensamento, eu abriria mão só pra não importunar, você diria que eu estou facilitando as coisa e banalizando o assunto, eu diria então...
E lá estaríamos nós numa discussãozinha banal de um típico casal de Truffaut. Não era o que eu queria para o dia idela, mas é que o acaso dos meus dedos rápidos sobre a tecla do notebook me fizeram chegar aqui e agora tenho de reverte isso. E bem clichê, cala-mo-nos com um beijo forte, bem forte. Na minha mão uma colher de pau melada de chocolate de pavê. Melo teu rosto e você limpa com a mãe. Mela meu olho. Nós dois, melados. Então, eu dou minha risada de lado sem mostrar os dentes e você mostra todos os dentes como se fossem troféus. Nós dois ficamos num impasse meio Scorsese meio Copolla, e eu me aproximo meio Almodovar, e você recua, meio Claire Dennis. E nós nos beijamos completamente Allen. O celular toca e é o teu, e toca também aquela música que você adora e quem me lembra muito e por isso mesmo é a música do teu celular.
- Mas essa não é minha música?
Eu pergunto.
- Não adianta, não adianta, moço. Toda vez que o telefone toca, com qualquer música, eu torço que seja você. Então, decidi colocar sua música para qualquer pessoa que me ligue. Assim semprev vou atender com a voz de mulher apaixonada.
E eu me sinto o cara mais feliz do mundo por fazer da minha namorada a mulher apaixonada que eu sempre quis.
Mas o dia não acaba aqui. Deixo a teu critério imaginar tudo após
12 de outubro de 2012
Tem Dias
Que se quer viver, e por isso andar, correr, parar, olhar.
Dias que se quer morrer, e não pensar e não viver.
Mas em todos os dias se quer amar, e apenas isso, e somente isso,
e por isso mais nada.
20 de setembro de 2012
Verossimilhança
Apareceu na vida dele despropositalmente, e demonstrou isso desde o começo. Ele sentia que ela o queria, por ligações, por facebook.
Ela trabalhava num mercado de alimentos, ele, num mercado de valores. Assim, poderiam tresnoitar sobre conversas capitalistas, mas preferiam os devaneios sobre a banda Evanescence, sobre a filha dela, sobre os/as ex's.
Envolveram-se de tal forma qu
e ele pode muito bem dizer que foi a primeira mulher da vida dele: beijaram-se, conjugaram-se, prometeram-se, confessaram-se. Envolveram-se de tal forma que ela sentiu medo, medo de ele deixá-la na cidade e ele voltar pra cidade dele, era a mais aceitável desculpa. Por esse medo, na noite de 20 de Setembro ela resolveu não atender as ligações dele. E num ato de coragem absurda, ele insistiu, mas fracassou.
O que poderia fazer? Decidiu caminhar até um lugar e deixar o presente, Fora de Mim(Martha Medeiros), com alguém que pudesse entregá-la.
E como que doesse infinitamente nele e infinitamente nela, ambos faziam daquela noite o parágrafo final. Ele sabia que pontos finais não finalizavam nada, que sempre deixavam o vazio após tais, e não era o final que nele doía, era o silêncio
12 de agosto de 2012
Especialista
Preciso aprender a falar francês,
preciso aprender a falar inglês,
preciso sentir o português;
preciso viver a experiência sublime da linguagem.
4 de agosto de 2012
Jane
Tem a voz mais chatinha e o sorriso mais doce que eu vi. Quando ela fala sorrindo, um misto de confusão sentimental perpassa meus neurônios e eu não consigo julgar, qualificar qualquer coisa daquele ser. Só fico encantado. Plenamente encantado por uma flor tão linda perdida num lugar que eu nunca imaginei que ela estivesse. Um prazer conhecê-la, entender e a escutar de olhos, ouvidos e quase-soluços.
Repetição
Tudo nesta vida pode ser repetido. Mas por favor, não diga que eu já disse antes que eu te amo. É, é, cada eu te amo quando digo "te amo" é maior que o amor que sentia no anterior, senão, não teria dito o que já tinha dito antes. Você já deveria ter notado que sou de poucas palavras e muito olhar.
Velocidade
Sempre fui precoce. Culpa da sucessão de fatos que me fizeram ser o homem da casa com onze anos, nascer filho mais velho, neto mais velho, até bisneto. Então, natural, melhor, cultural eu ser o primeiro isso, o primeiro aquilo. Sei, boa parte dessa leitura está mais em mim que nas coisas propriamente acontecidas. Mas o peso delas têm grande influência na minha atitude.
Considero uma lástima o tempo aplicado no primeiro emprego, e com todas as regalias e lauréis de sucesso, meus familiares se orgulharam de mim. Ó, ELE ESTUDA DE NOITE E TRABALHA DE DIA, típica vida de trabalhador assalariado e assassino dos desejos e sonhos.
Eu, agora, me considero apto a escavar a minha ais profunda identidade, a mergulhar lá nos sonhos da infância e descobri o que eu sufoquei por entre apostilas de concursos. É que tenho lido um livro, é que tenho visto meus primos firmes e fortes no caminho da universidade e é que fiquei com vontade de retomar os meus projetos. Sempre estive na estrada certa, mas o meu problema é que tenho a tendência a mater-me parado. E se queres alcançar o teu sonho, já dizia o poeta, não cesse o teu caminhar; mas o poeta também disse: caminhante, não há caminho, faça o caminho no ato de caminhar.
E eu vou, inventando um caminho maluco, criando atalhos sem nexo, com possobilidade de me perder.
6 de julho de 2012
Confete, Balas e Outras Vitaminas
A: Já é hora de levantar, menino! De abrir a janela e deixar o vento entrar.
'
B: Mas mãe, eu só quero sentir o vento de dentro de mim.
'
A: Deixa de ser bobo. Você precisa entender que é preciso conhecer as coisas de fora para compreender e viver com as coisas de dentro.
'
B: Mãeee!
'
A: Já pensou se você nunca tivesse tomado o vento. Jamais saberia que ele existe.
'
B: Que existencialismo chato, mãe!
'
B: Não. É vivencialismo, concretismo e todas as formas de pé no chão. Não se vive de ideia, menino, não viva!
'
B: Eu estava até pensando em pintar a janela mesmo...
21 de junho de 2012
Preenchimento
Queria ter algo para tocar, para preencher minha mão; um cabelo, uma outra palma talvez. Não necessariamente você, que já é a minha mais louca fantasia; mas um alguém que pudesse fazer meus olhos brilharem de um calor do peito, tipo aquilo que a gente vai sentindo quando descobre algum sentimento.
É preciso ter a sensação do preenchimento, sabe? Estou tentando acreditar mais nisso, e cada vez que escuto as composições da banda R.E.M fico perplexo de quanto nós seres humanos somos vazios por excelência. Saca a tábua rasa? É isso, só. Desde o conhecimento até as mais infinitas paixões. É preciso preencher a vida, o tempo, as coisas. Só preenchido podemos sentir falta de algo. E tendo para sempre a falta de todas as coisas, jamais, never, zilch, jamè se poderá sentir algo do que não é, não foi.
Se eu pudesse dá uma dica para mim: Preencha... pré-encha. É mais divertido está cheio e esvaziar-se ou está vazio e encher-se.... e assim, poderá ter o luxo de ser o mais poético maníaco-depressivo!
Mas ame e não estoure.
9 de junho de 2012
Nota Sobre a Postagem Anterior(em verdade, posterior se ainda não foi lida por você)
É tudo verdade. Manipulada, digerida, congestionada pelo meu falso moralismo!
De Peito Aberto
Pretendo ser transparente neste texto; como águas límpidas do Caribe
Há muito queria muito matricular-me numa Academia de Musculação, o tempo chegou e já estou no meu mais intenso segundo dia. Já usei vários aparelhos, já vi vários corpos santos que devem abrigar espíritos vadios ou castos, que importa? Ninguém sabe mesmo se somos só carnes e energia À LA ELÉTRONS E PRÓTONS E ÁTOMOS; então me diga, com qual intuito devo eu ir a academia e praticar estudos metafísicos? Nenhum. Mas como sou deveras um apaixonado por coisas inúteis, faço sem querer isso. Não só, ando aprendendo algumas coisas que não enxergava nas páginas amarelas dos livros de minha casa. Por exemplo, a repetição e a capacidade; por exemplo, o peito rasgado, aberto, depois de mais de três séries extensas, exaustas.
Quero dizer, quero falar o que cá está neste peito ainda vivo onde range a máquina da vida em ritmos descompassados e quase fúnebre. Dizer assim de um jeito como se mostra a vida vezenquando... eis o texto mais revela-dor:
Para Amar? Uma Ana.
Para Ter? Um Emerson.
Para "Jamais Perder" e Escutar? Uma Tami.
Para Fugir e Descobrir? Um Uriel.
Para Contemplar? Uma Larissa.
Para Acompanhar? Todos os minhas primas(os).
Para Tocar? Um Flávio.
Para Conversar e Rir? Um Igor e Um Allisson.
Para Cativar? Uma Marinalva.
Para se-Encantar-se? Um Thom, Uma Cátia, Uma Ádila.
Para Morrer? Um Eu.
Para Descobrir? Uma Lícia.
Para Lamentar? Um Neto.
Para Admirar? Umas Franciscas.
Para Desejar? Uma Carol.
Para Sonhar? Um João.
Para Entender? Um Sandro.
Para ser Entendido? Um Rafael.
Para Elogiar? Uma Fernanda.
Para Espantar-se? Um Alexandre.
Para Gargalhar? Um Jarbas.
Para Hipnotizar-se? Uma Diana.
Para Acreditar cegamente? Um Marcos.
Para ser fã? Uma Brisa.
Para Estudar? Um Chico, Um Gabriel, Um Caetano.
Para Casar? Uma Ana.
Vês o quão fiel a ti sou. E meu peito permanecerá rasgado para você entrar e organizar toda a máquina sem ritmo da minha vida. Estar de peito aberto, querida, não implica estar gratuito, em liquidação ou irrestrito. É estar vulnerável a tudo que afete a nossa história, que ainda nem começou com nós dois.
Há muito queria muito matricular-me numa Academia de Musculação, o tempo chegou e já estou no meu mais intenso segundo dia. Já usei vários aparelhos, já vi vários corpos santos que devem abrigar espíritos vadios ou castos, que importa? Ninguém sabe mesmo se somos só carnes e energia À LA ELÉTRONS E PRÓTONS E ÁTOMOS; então me diga, com qual intuito devo eu ir a academia e praticar estudos metafísicos? Nenhum. Mas como sou deveras um apaixonado por coisas inúteis, faço sem querer isso. Não só, ando aprendendo algumas coisas que não enxergava nas páginas amarelas dos livros de minha casa. Por exemplo, a repetição e a capacidade; por exemplo, o peito rasgado, aberto, depois de mais de três séries extensas, exaustas.
Quero dizer, quero falar o que cá está neste peito ainda vivo onde range a máquina da vida em ritmos descompassados e quase fúnebre. Dizer assim de um jeito como se mostra a vida vezenquando... eis o texto mais revela-dor:
Para Amar? Uma Ana.
Para Ter? Um Emerson.
Para "Jamais Perder" e Escutar? Uma Tami.
Para Fugir e Descobrir? Um Uriel.
Para Contemplar? Uma Larissa.
Para Acompanhar? Todos os minhas primas(os).
Para Tocar? Um Flávio.
Para Conversar e Rir? Um Igor e Um Allisson.
Para Cativar? Uma Marinalva.
Para se-Encantar-se? Um Thom, Uma Cátia, Uma Ádila.
Para Morrer? Um Eu.
Para Descobrir? Uma Lícia.
Para Lamentar? Um Neto.
Para Admirar? Umas Franciscas.
Para Desejar? Uma Carol.
Para Sonhar? Um João.
Para Entender? Um Sandro.
Para ser Entendido? Um Rafael.
Para Elogiar? Uma Fernanda.
Para Espantar-se? Um Alexandre.
Para Gargalhar? Um Jarbas.
Para Hipnotizar-se? Uma Diana.
Para Acreditar cegamente? Um Marcos.
Para ser fã? Uma Brisa.
Para Estudar? Um Chico, Um Gabriel, Um Caetano.
Para Casar? Uma Ana.
Vês o quão fiel a ti sou. E meu peito permanecerá rasgado para você entrar e organizar toda a máquina sem ritmo da minha vida. Estar de peito aberto, querida, não implica estar gratuito, em liquidação ou irrestrito. É estar vulnerável a tudo que afete a nossa história, que ainda nem começou com nós dois.
3 de junho de 2012
Textos amontoados*
"Eu acho que você acha que eu acho que nós pensamos estar apaixonados. Eu tenho certeza".
Era uma vez um menino, era uma outra vez uma menina. Era uma vez dois que queriam ser um.
Era uma vez em que foram apaixonados,
e outra, que foram....
Moça, olha só
o que eu descobri...
Garoto, lembrei de ti! Naquele em que estava ao cuidado dos teus braços, naquele dia que estrelas cadentes caiam
e você fazia questão de perceber isso.
Ai ai.
15 de maio de 2012
Dia de Reis Fora de Época
Sexta fui a Recife... Fiquei hospedado na casa de um Amigo. E ri, lembro-me, como quem ri nos tempos colegiais.Ouvimos algumas músicas, assistimos a alguns filmes, discutimos um pouco sobre o rumo da vida. Não nessa ordem, sem ordem, sem hierarquia temporal; visto que tudo, tudo cabe num espaço ínfimo, no curto espaço de tempo do aqui e agora.
Faz um tempo que não vivo o presente legitimando minha vida. Ando renunciando a tudo em nome da felicidade de uns poucos que nem sabem me amar direito. Mas sexta-feira fui a Recife. Lá estive em desconforto por estar na casa da tia do meu amigo, e pela tia do meu amigo ser muito gente boa e eu ser um baita tímido às avessas.
De fato, estive em Recife. Ninguém sabia, só um irmão. Se eu morresse, ninguém saberia, só um irmão. De que importa isso? Eu andei de Roda Gigante. Sabe? Uma roda enorme repleta de cadeiras que vai dos rasteiro ao alto em movimento lento! Faz mais de seis anos que não sinto o doce estado de estar rodando suavemente nas alturas! Vê, viajei na montanha russa, e lembrei-me dos romances russos que nunca li, mas sei o formato da composição literária! Eu também caminhei por uma certa Mansão do Terror, que mais parecia estar num set totalmente realista de filmes do Tim Shyamalan (mistura do Burton com o M. Night.); atores fantásticos me fizeram correr feito um doido, a arrastar meu amigo pela gola da camisa, a arrebentar o joelho e queimar, nas paredes, um pouco dos dedos. Estive em Recife.
Caminhei pela Avenida Agamenon, pela Avenida Caxangá, pela Avenida do Shopping Boa Vista, pela Avenida da Vida em Dúvida. Pois durante todo o momento no qual estive em Recife, estive também preocupado com uma coisa: uma escolha: Petrolina, faculdade: Salgueiro, trabalho digno: mas, isso não foi o suficiente para que o meu curto tempo em Recife fosse considerado o dia em que estive mais sintonizado comigo mesmo, e com o outro, com um... grande Amigo de um Passado tão distante, que eu talvez eu nunca lembre de quando, mas sinto o tanto.
Outra sexta dessas, irei a Recife.
5 de maio de 2012
Sobre a Lua
Dizer o quê, quando se pode olhar e calado permanecer?
Hoje, pretendo-me sucinto!
Sem delongas, sem paralelismos,
sem rimas fáceis,
falsos cacoetes,
sem ganchos, sem.
Só ela, lá do alto... a enamorar os enamorados,
e a solidificar mais e mais a solidão dos solitários.
Só ela,
imponente, magnífica e deslumbrante,
radiante.
Mais encantadora que o sol dos nossos dias,
a lua das nossas noites ainda vai nos engravidar
de novos sonhos nestes novos passos do milênio.
Agora, é hora de contemplar, abismado!!!
29 de abril de 2012
Então, eu não mais sonho contigo. Daquelas vezes que fiquei pensando em ser teu homem, e tu, minha mulher. Retirei os emblemas do teu nome na minha mente tão fértil a teus encantos. Eu não te quero mais, e por isso, minto! Minto descaradamente. Minto, pois você é a pessoa certa, mais que certa, mais que perfeita. Mas. Não sou o certo para ti.
Deus, Deus, Deus! Devo acreditar sem delongas de que há uma pessoa à minha espera. Necessito crer nisso para que os meus sonhos não naufaguem nos meus pobres projetos de vida dos quais não comportam mais teu nome. Eu queria tanto te ter no quarto, na estante. Dividir um livro contigo. Falar sobre um poema, um autor, uma música!
Imaginei você demais, e pior, contigo, contigo, idiota que sou, imaginei estando contigo!
Olha, é que caso um dia você me imagine também, me fala. Eu me renderei facilmente ao teu amor vencido, mas que me fará bem. Vencido, ultrapassado, desgastado, eu vou querer estar... e ser... com você, isto é, você!
22 de abril de 2012
De uns dias para cá venho tentado estipular metas pessoais. Frequentar uma academia de musculação e ler um livro por semana. Ontem comecei, a do livro, e comecei por um bastante significativo à minha condição mais momentânea. Foi com A Metamorfose, obra do jovem judeu que escrevia em alemão, KAFKA.
Para mim, foi o compromisso realizado de muitos anos. Desde quando comecei a admirar o autor de Cem Anos de Solidão, sempre soube que ele quisera e tivera a certeza de ser escritor mediante as primeiras linhas onde se fala dos sonhos intranquilos e do ser metamorfoseando em seu quarto humano! Não admirei ao notar identificação entre a vida de Gregor e minhas possíveis vidas(outra coisa que venho fazendo de uns dias para cá, imaginado o quanto de vidas eu teria caso tivesse feito outras escolhas). Lendo o livro, lembrei do meu trabalho em Juazeiro, quando tive que abrir mão dos meus amigos do ensino médio(no último ano, o qual estudava pelo turno da manhã). Perdi muitas coisas com o começo precoce do minha mão de obra, mas não posso nem devo negar que conquistei uma certa seriedade, ainda que doentia.Conquistei também novos amigos, e sem perceber já estava preso ao salário.
Aconteceu daí que me descobri preso ao salário, e fiquei consciente do sufocar meus sonhos que nunca estiveram ou foram concretos. Ignorei, ignorei o fluir das coisas e bem de praxe mesmo, tudo foi sendo arrastado para debaixo do tapete.
Hoje, mais uma vez, vejo-me diante de um imenso muro que tem na sua base e extremidade: uma porta e uma escada, respectivamente! Sou obrigado a decidir o que quero. O que será de mim? Que será?
Bem. Por enquanto, só eu e eu mesmo e os outros eu e as outras alteridades absurdas do meu ser podem conversar sobre isso. Ainda, no entanto, como pesa e é insuportável a "responsabilidade". E como os vadios, patifes, mendigos são felizes em não precisar responder por nada, mas ao mesmo tempo sofrem por não serem respondidos. Sinto o muito muito compensador, como um caixa cruel que contabiliza e pondera todos os valores morais, celestes, infernais e qualquer outro.
Santo Deus e Santa Pizza, como o Hamlet sofreu em seu questionamento mais desgastado no mundo moderno! Ser ou ser outro ser outrora? Deixar de ser e ser novamente mais tarde? Ah! Conjunção maldita e violenta, detentora de todos os tempos e dimensões! Ou, ou, ou! Sempre ou. Alternando-lhes, sobra a mais incrível criação da juventude: uó, uó, uó!
Deixe estar, e toda a minha vida será varrida de ou e terá o imperativo categórico pó-moderno do "e".
(A nova versão do blogger me fez perder a paciência para correções posteriores).
8 de abril de 2012
Mais um tema banal: Felicidade?
Tenho quase certeza! Agora, que jogo com o mundo um jogo de gato e rato. Fujo dos assuntos batidos, dos clichês, dos chavões, até dos ditados populares, sempre me refugiando e revalidando o grau de infundação do pensamento ultrapassado. Ultrapassado, hahahaha!

Daí, hoje, interessa-me a felicidade. A velha felicidade, tão desgastada, debatida, banalizada; a do Globo Repórter, que um dia chegará no Globo Rural, do Café Filosófico. Mas nunca minha. Acho que banalizar, é tornar um coisa muito menos sua e mais dos outros.
Por me perceber demasiado "cult", pobre de mim, muito me interessou por longos anos os assuntos mais incomuns, menos debatidos, com exceção do BBB. E por tal motivo, fui ignorando os posts de Caio Fernando Abreu, a saga de Harry Potter, a febre Crepúsculo, o Jornal Nacional nos tempos de pré-vestibular, até o talento extraordinário de Clarice Lispector. Com isso, tudo que poderia me socializar acabou por me envolver numa casca dura! De compreender tudo com normalidade, acabei por ler a banalidade dos dias e da coisas. Banalizei minha vida, começo a ver as coisas apenas com o olhar. Abro uma explicação sobre esse último período do parágrafo.
(Nós seres humanos temos uma dádiva tão fácil de ser administrada; a dádiva dos sentidos. Escutar, cheirar, tocar, observar. E misturar tudo isso é tão vitaminante! Imagina tocar pela simples observação, imagina sentir o cheiro de um pensamento. Ah, gente isso é coisa para o übermensch, e nada mais)
Agora, assusto-me ao perceber o quanto nosso século está condenado a isso de banalidade que confunde-se com a virtualização, o cybernético, ainda que esse seja um malefício perante muitos benefícios da nossa queridamente detestável insubstítuivelmente internet. Quando o Louvre não mais atrair visitantes, quando os clubes aquáticos não mais comportar ambientes de conversas, quando o ensino tornar-se mais a distância, aí sim isso pode ser mais alarmante. Por enquanto é só uma pedrinha de gelo em alto mar. Na minha vida, um bloco imenso que só avistei agora, aos 22 anos. Logo eu que sempre tive afeição pelos poemas de Manuel Bandeira, que nunca achei banal!
Mas, vem cá, meninas e meninos leitores, como que algo torna-se banal?
Seria a repetição constante, o cansaço diante de certos acontecimentos?! Seria o modo como os meios de cultura se posicionam perante a sociedade? Seria o reflexo dos comportamentos? E a banalidade pode ser boa?
Banal não é sinônimo de comum, rotina, normal.
Banal pode resumir-se em banir do nosso pensamento a capacidade pensar sobre algo; é automatizar as coisas; é mecanizar a interpretação; é não rever o significado; é um niilismo mascarado!!!
A Felicidade é um tema normal, mas que de tão digestível e instantânea a grande maioria do pensamento mundial contemporâneo, acaba por ser simplesmente um rir/gargalhar, ou vai dizer que você não imagina isso quando escuta/ler a palavra felicidade?

Daí, hoje, interessa-me a felicidade. A velha felicidade, tão desgastada, debatida, banalizada; a do Globo Repórter, que um dia chegará no Globo Rural, do Café Filosófico. Mas nunca minha. Acho que banalizar, é tornar um coisa muito menos sua e mais dos outros.
Por me perceber demasiado "cult", pobre de mim, muito me interessou por longos anos os assuntos mais incomuns, menos debatidos, com exceção do BBB. E por tal motivo, fui ignorando os posts de Caio Fernando Abreu, a saga de Harry Potter, a febre Crepúsculo, o Jornal Nacional nos tempos de pré-vestibular, até o talento extraordinário de Clarice Lispector. Com isso, tudo que poderia me socializar acabou por me envolver numa casca dura! De compreender tudo com normalidade, acabei por ler a banalidade dos dias e da coisas. Banalizei minha vida, começo a ver as coisas apenas com o olhar. Abro uma explicação sobre esse último período do parágrafo.
(Nós seres humanos temos uma dádiva tão fácil de ser administrada; a dádiva dos sentidos. Escutar, cheirar, tocar, observar. E misturar tudo isso é tão vitaminante! Imagina tocar pela simples observação, imagina sentir o cheiro de um pensamento. Ah, gente isso é coisa para o übermensch, e nada mais)
Agora, assusto-me ao perceber o quanto nosso século está condenado a isso de banalidade que confunde-se com a virtualização, o cybernético, ainda que esse seja um malefício perante muitos benefícios da nossa queridamente detestável insubstítuivelmente internet. Quando o Louvre não mais atrair visitantes, quando os clubes aquáticos não mais comportar ambientes de conversas, quando o ensino tornar-se mais a distância, aí sim isso pode ser mais alarmante. Por enquanto é só uma pedrinha de gelo em alto mar. Na minha vida, um bloco imenso que só avistei agora, aos 22 anos. Logo eu que sempre tive afeição pelos poemas de Manuel Bandeira, que nunca achei banal!
Mas, vem cá, meninas e meninos leitores, como que algo torna-se banal?
Seria a repetição constante, o cansaço diante de certos acontecimentos?! Seria o modo como os meios de cultura se posicionam perante a sociedade? Seria o reflexo dos comportamentos? E a banalidade pode ser boa?
Banal não é sinônimo de comum, rotina, normal.
Banal pode resumir-se em banir do nosso pensamento a capacidade pensar sobre algo; é automatizar as coisas; é mecanizar a interpretação; é não rever o significado; é um niilismo mascarado!!!
A Felicidade é um tema normal, mas que de tão digestível e instantânea a grande maioria do pensamento mundial contemporâneo, acaba por ser simplesmente um rir/gargalhar, ou vai dizer que você não imagina isso quando escuta/ler a palavra felicidade?
31 de março de 2012
27 de março de 2012
Amor
1. Necessidade de uma vida descompleta 2. Sentimento intenso e devastador que pode ser confundido com paixão 3. Estado de plenitude e de apreço 4. Incondicionalidade 5. Gratidão 6. Nenhuma das definições anteriores e posteriores, somente essa.
(pequeno dicionário interior)
(pequeno dicionário interior)
24 de março de 2012
Destino
Quando eu olhei o ônibus e vi que não era ele, retornei a esperar. Ele não passou. Eu lembrei que tinha um aviso naquele ônibus que não peguei, e aquele ônibus era meu até se eu tivesse pegado pensando que tinha errado, mas eu o reneguei.
E o destino? Não existe destino para quem não está em percurso. Ao olhar ao redor, enxergue e verá na bola de cristal, que é teu olhar, a tua vida que há de-vir.
E o destino? Não existe destino para quem não está em percurso. Ao olhar ao redor, enxergue e verá na bola de cristal, que é teu olhar, a tua vida que há de-vir.
15 de março de 2012
Eu queria te dizer
(que te amo). Como título do meu texto verbal, subtrair os verbos e aumentar os gestos. Te convidar para casar comigo, viver comigo, termos um abrigo e vários livros.
Seríamos livres para viver dentro da redoma do compromisso transcendente de ser um só. Respeitaria teus segredos e tuas individualidades, e jamais prometeria não te importunar. Brigaríamos, sorriremos, amamos, viveremos assim de modo a conjugar os verbos em tempo incoerente.
Eu te amo, e você é a mulher da minha vida. Um dia te encontro em outro olhar, já que teu olhar mesmo já parece que nunca vai ser meu.
Mas a vida continua e o trem não estaciona. Por estações a vida vai, e eu não vou te esquecer tão fácil, visto que te esquecer é perder uma parte do que quero para mim e de que aos poucos já sou.
Já não resta palavras, nem pontos
Seríamos livres para viver dentro da redoma do compromisso transcendente de ser um só. Respeitaria teus segredos e tuas individualidades, e jamais prometeria não te importunar. Brigaríamos, sorriremos, amamos, viveremos assim de modo a conjugar os verbos em tempo incoerente.
Eu te amo, e você é a mulher da minha vida. Um dia te encontro em outro olhar, já que teu olhar mesmo já parece que nunca vai ser meu.
Mas a vida continua e o trem não estaciona. Por estações a vida vai, e eu não vou te esquecer tão fácil, visto que te esquecer é perder uma parte do que quero para mim e de que aos poucos já sou.
Já não resta palavras, nem pontos
4 de março de 2012
A Grandeza da Vida
Converso sobre o homem da feira, a mulher da panificadora, as crianças das esquinas e os velhinhos do entardecer. Tento entender melhor as unidades do mundo, já estou aprendendo que a totalidade é sempre maior que a soma das partes, que por isso ser panteísta é um bom caminho praticado.
Cada pessoa tem seu tempo e espaço, e descobri que o modo existe firmemente tal qual o firmamento. O pão, as frutas, as brincadeiras e o silêncio são variantes. Notei que há sempre uma proporcionalidade em cada olhar e gesto. Estou prestes a criar a minha fórmula da vida.
Então serei sucinto tal qual aos intantes que redirecionam uma vida. Serei breve tal qual a linguagem da natureza. É que o tempo é dado em hora, o comprimento é dado em metros, a temperatura é dada em escalas Celsius, Kelvin ou Fahrenheit , e a vida, meu bem, a vida é dada em intensidade. Só preciso entender que menos, às vezes, é muito mais.
Cada pessoa tem seu tempo e espaço, e descobri que o modo existe firmemente tal qual o firmamento. O pão, as frutas, as brincadeiras e o silêncio são variantes. Notei que há sempre uma proporcionalidade em cada olhar e gesto. Estou prestes a criar a minha fórmula da vida.
Então serei sucinto tal qual aos intantes que redirecionam uma vida. Serei breve tal qual a linguagem da natureza. É que o tempo é dado em hora, o comprimento é dado em metros, a temperatura é dada em escalas Celsius, Kelvin ou Fahrenheit , e a vida, meu bem, a vida é dada em intensidade. Só preciso entender que menos, às vezes, é muito mais.
25 de fevereiro de 2012
A Insustentável Leveza
(Para ler em crescente desespero, de um titubear de pensamento a um ponto de muita tensão/Para melhor entendimento, Ne Me Quitte Pas, na voz de Jacques Brel)
O amor consegue suportar,
O amor consegue suportar,
O amor consegue suportar
até quando até até quando?
Não suporto te amar,
não abranjo teu olhar...
não consigo te carregar,
você mais que eu dentro de mim.
O amor consegue suportar,
O amor consegue suportar,
O amor consegue suportar
por um tempo quanto tempo tempo.
Eu carregaria você pelos restos enfim.
Eu carregaria você dentro de mim.
Mas não consigo suportar o amor,
ele até consegue suportar.
Mas pesa, pesa, pesa, pesa.
Pesa, pesa, pesa, pesa, pesa.
Amor suporte,
insuportável amor,
amor suporte,
insuportável amor:
chão.
Vou ao chão, paixão.
Paixão.
Caixão.
Velório.
Tragédia.
Julieta sem Romeu.
O amor consegue suportar,
O amor consegue suportar,
O amor consegue suportar
até quando até até QUANDO?
O amor consegue suportar,
O amor consegue suportar,
O amor consegue suportar
até quando até até quando?
Não suporto te amar,
não abranjo teu olhar...
não consigo te carregar,
você mais que eu dentro de mim.
O amor consegue suportar,
O amor consegue suportar,
O amor consegue suportar
por um tempo quanto tempo tempo.
Eu carregaria você pelos restos enfim.
Eu carregaria você dentro de mim.
Mas não consigo suportar o amor,
ele até consegue suportar.
Mas pesa, pesa, pesa, pesa.
Pesa, pesa, pesa, pesa, pesa.
Amor suporte,
insuportável amor,
amor suporte,
insuportável amor:
chão.
Vou ao chão, paixão.
Paixão.
Caixão.
Velório.
Tragédia.
Julieta sem Romeu.
O amor consegue suportar,
O amor consegue suportar,
O amor consegue suportar
até quando até até QUANDO?
21 de fevereiro de 2012
Muda Mudança

Enquanto eu aprendo a voar sozinho, caindo, vou orando para que nenhuma tempestade me abata. Sempre fui muito rastejante, talvez subterrâneo, quieto, modesto. Sempre gostei de ficar no meu lugar quente, fervente, conhecido. Gosto muito de coisas novas, do novo, mas sempre me escondo e me protejo das consequências. Mas por necessidade, é tempo de voar e enfrentar os efeitos do risco de estar no céu. Tempo de olhar de longe, de olhar diferente, de ser diferente e encontrar as mesmas pessoas que ama o mesmo eu mas com um eu que invitavelmente será diferente.

De lá de longe, vou estar voando alto, bem alto. Sendo visto por muitos. Sendo invejado, odiado, admirado, amado. Amado, está aí o sentido e a relevância, amado por quem eu sei que sempre esteve do meu lado(elefante que sou, não me esqueço).

Eu sei que não serei o mesmo, e peço a Deus para não ser.

Afastar-se da cidade que você cresceu, das pessoas que te protejeu, dos amigos que conseguiu, das respostas certas, dos conselhos rápidos... e se aventurar a fazer tudo de novo, não é esse o jogo da vida? Encontrar novas perguntas, escutar novas respostas, conhecer outros eus que estavam abafados por um eu certo, convicto, cego de si mesmo.

Voar, voar como um passarinho. Tal qual um passarinho fraquinho perante o infinito céu mutável. O céu que será pincelado a cada dia por saudade, adversidade, descobertas, aprendizagens, loucuras, racionalidades, incertezas, coragem, ousadia, medos e alegrias. Eis que o céu que estou prestes a voar está com nuvens que formam um labirinto, e o meu Minotauro é o meu amor, que é também o próprio Teseu.
É hora de crescer, descer, pegar impulso e voar no ar mutável.
20 de fevereiro de 2012
Abaixo o Vencedor(e todas as formas de prepotência)
Olha lá,
quem vem do lado oposto
vem sem gosto de viver.

Olha lá que os bravos são escravos
sãos e salvos de sofrer.

Olha lá quem acha que perder
é ser menor na vida.

Olha lá, quem sempre quer vitória
e perde a glória de chorar.

Eu que já não quero mais ser um vencedor,
levo a vida devagar pra não faltar amor

Olha você e diz que não
vive a esconder o coração.

Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
só procura abrigo,
mas não deixa ninguém ver
Por que será ?

Eu que já não sou assim
muito de ganhar,
junto as mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
só pra viver em paz.
quem vem do lado oposto
vem sem gosto de viver.

Olha lá que os bravos são escravos
sãos e salvos de sofrer.

Olha lá quem acha que perder
é ser menor na vida.

Olha lá, quem sempre quer vitória
e perde a glória de chorar.

Eu que já não quero mais ser um vencedor,
levo a vida devagar pra não faltar amor

Olha você e diz que não
vive a esconder o coração.

Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
só procura abrigo,
mas não deixa ninguém ver
Por que será ?

Eu que já não sou assim
muito de ganhar,
junto as mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
só pra viver em paz.
Os Fins
Há pequenos ciclos na minha vida que não consigo fechar. Há ciclos pequeninhos e tão bonitos e pueris, que não consigo fechar. Ciclo de amor platônico, ciclo de vontades filosóficas, ciclos de anseios musicais. Por enquanto eu vivo de um ciclo que me alimenta e de outros ciclos que me impulsionam a viver.
O fim, o fim. O fim não acaba quando coloco um ponto final. O fim não é o The End. O fim mesmo é o espaço vazio que fica depois do que chamamos e pensamos ser o fim. Aquele sentimento de vazio absoluto, um misto de angústia e nostalgia antecipada.
E talvez por isso dói levantar a mão e acenar um tchau. Como dói abraçar com carinho e olhar nos olhos e dizer até mais. Como dói sair de repente e mentir descaradamente pra si que nada está acontecendo, e que é natural, e que é normal. As normas e as regras irrefletidas não tem sentimento. Dá adeus é acreditar no tempo e no destino, caso ame a pessoa da despedida, ou acreditar no nunca mais.
Eu estou destroçado de despedidas. Me despedindo do quarto que não dormirei mais, do vento raro e agradável das noites quentes de Juazeiro, me despedindo de pessoas fantásticas que conheci numa intensidade funesta e embriagante.
A duras penas custo a acreditar que a vida é feita de ciclos. Que os pontos finais e parágrafos equivalem a pontos de cirurgias que custam a cicatrizar. É sobre os fechamentos que me ponho a pensar. Sobre as desistências, as decepções, os rompimentos, as desilusões, a falta de esperança.
O fim, o fim. O fim não acaba quando coloco um ponto final. O fim não é o The End. O fim mesmo é o espaço vazio que fica depois do que chamamos e pensamos ser o fim. Aquele sentimento de vazio absoluto, um misto de angústia e nostalgia antecipada.
E talvez por isso dói levantar a mão e acenar um tchau. Como dói abraçar com carinho e olhar nos olhos e dizer até mais. Como dói sair de repente e mentir descaradamente pra si que nada está acontecendo, e que é natural, e que é normal. As normas e as regras irrefletidas não tem sentimento. Dá adeus é acreditar no tempo e no destino, caso ame a pessoa da despedida, ou acreditar no nunca mais.
Eu estou destroçado de despedidas. Me despedindo do quarto que não dormirei mais, do vento raro e agradável das noites quentes de Juazeiro, me despedindo de pessoas fantásticas que conheci numa intensidade funesta e embriagante.
A duras penas custo a acreditar que a vida é feita de ciclos. Que os pontos finais e parágrafos equivalem a pontos de cirurgias que custam a cicatrizar. É sobre os fechamentos que me ponho a pensar. Sobre as desistências, as decepções, os rompimentos, as desilusões, a falta de esperança.
12 de fevereiro de 2012
A Sós

Não assisti a esse filme. Quer dizer, observei uns 15 minutos(e por infelizmente ter um compromisso, tive de abrir mão). Aliás, isso de abrir mão é o grande enredo da história! Sabe a lenda do sol e da lua, que eles não podem se encontrar... parece história de menininha mesmo, não é? Coisa de conto de fadas. Mas é uma crônica de fadas. Aconteceu no meio religioso; no católico, pasmem! No catolicismo cego de antes da idade medieval! Pois é. O amor ainda estava intacto. O amor acima do próprio amor romântico. A história do menino rico que abandonou a ostentação da nobreza para ajudar os pobres, cuidar dos animais e admirar a natureza. O menino que negou o amor e a família a troco da responsabilidade saber-se O ESCOLHIDO. E ele foi São Francisco de Assis!

Quem conseguir ler o filme, apaixonarar-se-á pela musicalidade da voz e dos gestos!
Ó, Deus Acaso! Por acaso seria demais se uma noite após o ocaso, a manhã posterior fosse de eclipse? E fosse eclipse os nossos corpos e espíritos? E fosse de eclipse os nossos nomes e os traços de nossos filhos?
24 de janeiro de 2012
Som e Fúria

Pessoas que acreditam que o mundo pode melhorar, crentes que ele está prestes a acabar, mas a humanidade terá uma salvação, isto é, uma libertação. Lenine, cantor pernambucano, já disse em entrevista: "Minha mãe acreditava que ir á igreja é comunicar-se com Deus, enquanto meu pai não acreditava em Deus e desde os oito anos ele permitia que os filhos optassem em ficar em casa para poderem se conectar com o divino de outra forma, pela música".
Penso que o pai do Lenine não seria tão gentil em atribuir religiosidade (aqui na conotação de relligare, reconexão com o divino) em qualquer música. Teríamos que clarear o conceito de divino, mas na ânsia de clarear poderíamos chegar a obscurecer, como acontece nesse monte de textos acadêmicos. Por isso, divino deve ser entendido como uma sensação estética que beire o metáfisico e, por isso mesmo, o transcendente.
É isso que acontece comigo quando escuto a musicalidade "Coldplayliana". Claro que preciso de algumas condições para que sinta a minha alma pelos meus dedos até as pontas dos cabelos. Com isso, acredito que Coldlay cumpre a principal função da música moderna: em tempos de falta de religião, sentidos de vida e niilismos geradores de depressão, a música salva.
Agora, eu fico aqui me pergutando por qual motivo ela me faz conectar com o divino mesmo?
Bem, poderia ser bem pragmático e elaborar uma lista. Mas de maneira delicada, discorrerei em bula de remédio de composição química tal qual o Lenine que formou-se em Engenharia Química (sabia?):
25% de pianolina ou violino.
20% de voz crescentina e sussurada, vezenquando.
10% de preocupação social e boa reputação.
20% de um refrão pop que grude na cabeça como uma oração seguida de riffs comportados e cores alucinantes.
25% de ... segredo, mistério, obscuridade, nonsense principalmente nas letras da música!
Para mim, a música do Coldplay(do disco Viva la Vida à Mylo Xyloto) é um louvor ao que há de melhor e de Deus dentro da gente. Digo mais: a música tem o poder de movimentar, bem sabido, algumas agem do corpo ao espírito, outras, do espírito ao corpo. Não há dúvida em qual categoria a banda de "Rock calcario"(como intitula o vocalista e líder da banda) esteja inserida. Assim, acabo de descobrir de que em mim, em nível musical, espantosamente, a essência precede a existência.
Comprove o que eu digo, escute Life in techinocolor, quem sabe Paradise. Agora, você tem que saber que há contraindicações do efeito químico. Você precisa ter um som que não tenha ruídos, precisa se concentrar um pouquinho, pedir um pouquinho de silêncio aos familiares ou pessoas que dividam o quarto e deixar que tudo fluirá. Você vai ver, ou melhor, sentir.
20 de janeiro de 2012
Lições do Teatro ou Nudez Teatral ou O Despir de Mim
Esteticamente,
você pode dizer que não sabe fazer um poema.
Politicamente,
você pode dizer que não sabe o que é o amor.
Honestamente,
você pode dizer que a vida não vale a pena.
Socialmente,
diria que as coisas não estão com seu devido valor.
Economicamente,
pode dizer que o mundo já não tem mais cor.
Publicamente,
pode dizer que esse texto já acabou.
Está sem rima, sem nexo, sem rima, sem ne-xo, se m r ima, se m ne
xo.
Mude, emudeça, transpareça... Aja mesmo parado dançando dentro de você!
Encontre a verdade, fale a verdade, acredite no que diz.
Faça um poema...
Esteticamente,
você pode dizer que não sabe o que é o amor.
Politicamente,
pode dizer que o mundo já não tem mais cor.
Honestamente,
você pode dizer que não sabe fazer um poema.
Socialmente,
você pode dizer que a vida não vale a pena.
Economicamente,
pode dizer que esse texto já acabou.
Publicamente,
diria que as coisas não estão com seu devido valor.
A Fé move montanhas,
a fé move palavras, a Fé é uma escada.
A fé é um dom, uma dádiva, um thom de cores coloridas.
você pode dizer que não sabe fazer um poema.
Politicamente,
você pode dizer que não sabe o que é o amor.
Honestamente,
você pode dizer que a vida não vale a pena.
Socialmente,
diria que as coisas não estão com seu devido valor.
Economicamente,
pode dizer que o mundo já não tem mais cor.
Publicamente,
pode dizer que esse texto já acabou.
Está sem rima, sem nexo, sem rima, sem ne-xo, se m r ima, se m ne
xo.
Mude, emudeça, transpareça... Aja mesmo parado dançando dentro de você!
Encontre a verdade, fale a verdade, acredite no que diz.
Faça um poema...
Esteticamente,
você pode dizer que não sabe o que é o amor.
Politicamente,
pode dizer que o mundo já não tem mais cor.
Honestamente,
você pode dizer que não sabe fazer um poema.
Socialmente,
você pode dizer que a vida não vale a pena.
Economicamente,
pode dizer que esse texto já acabou.
Publicamente,
diria que as coisas não estão com seu devido valor.
A Fé move montanhas,
a fé move palavras, a Fé é uma escada.
A fé é um dom, uma dádiva, um thom de cores coloridas.
19 de janeiro de 2012
As Estações de Ninar
(Sobre os desencontros do Eu e o Lírico)
I
No verão, o vento.
No outono, o vento.
No inverno, o vento.
Na primavera, o vento.
E pelo vento, seu possível cheiro.
II
Sabe quando o sol arde?
Quando ele brilha tanto que mescla as letras dos livros?
Sabe quando o céu estoura numa fotografia?
Eu me sinto isso.
- O Sol?
Não. As ardências, as letras e o céu cruelmentes iluminados por você, um astro distante.
III
Hoje, estou triste.
- Triste?
É. Mais uma vez descobri que você não existe.
IV
- Ainda está triste?
Um pouco.
Só não estou habituado a olhar uma árvore tão linda como você;
imaginá-la serenamente florida,
e mais tarde, descobrí-la mirage.
V
Por que você não existe dentro de mim e só dentro de mim?
Pra quê insiste em existir fora?
VI
- Eu não sou o seu problema. Sou a sua solução, sou sua musa!
Não, você é os meus soluços.
VII
- Sou a sua solução e seus soluços.
I
No verão, o vento.
No outono, o vento.
No inverno, o vento.
Na primavera, o vento.
E pelo vento, seu possível cheiro.
II
Sabe quando o sol arde?
Quando ele brilha tanto que mescla as letras dos livros?
Sabe quando o céu estoura numa fotografia?
Eu me sinto isso.
- O Sol?
Não. As ardências, as letras e o céu cruelmentes iluminados por você, um astro distante.
III
Hoje, estou triste.
- Triste?
É. Mais uma vez descobri que você não existe.
IV
- Ainda está triste?
Um pouco.
Só não estou habituado a olhar uma árvore tão linda como você;
imaginá-la serenamente florida,
e mais tarde, descobrí-la mirage.
V
Por que você não existe dentro de mim e só dentro de mim?
Pra quê insiste em existir fora?
VI
- Eu não sou o seu problema. Sou a sua solução, sou sua musa!
Não, você é os meus soluços.
VII
- Sou a sua solução e seus soluços.
16 de janeiro de 2012
(500) Dias com Ela
Ainda não sei analisar um filme, talvez por isso tenha ficado com inveja da resenha crítica de um amigo meu (Uriel Bezerra) sobre o filme que tentarei analisar. Qualquer dia desses paro para criar uma modelo de análise. É que ele aborda o filme de maneira magistral, passeando por conceitos abstratos e concretos com aplicabilidades práticas. Com êxito, fala do sumo da história, do núcleo. Não tentarei imitá-lo, mas com desejo de não desmerecê-lo(ainda que ele e conhecidos nunca venham a ler isso), acabarei por (ex)-citá-lo em algum momento deste texto. Vale dizer que o veículo da informação é diferente, enquanto ele usou uma revista eletrônica acadêmica, eu, um blog repleto de objetividade subjetiva. Vamos ao que interessa!

O filme começa com uma dedicatória clássica do cinema, aquela que diz "qualquer semelhança é mera coincidência", e completa com uma mensagem provocadora: "principalmente para você,..., vagabunda!". Eis que temos na abertura, uma linguagem fluída, desenhos singelos, músicas ternas : uma comédia romântica, como diz o Bezerra, um pouco distante do habitual público do gênero cinematográfico, as garotas. O nome 500 Dias com Ela é mentiroso em aparência e sincero em profundidade; quem o compro, o aluga ou simplesmente o nota, jura que é a história de um rapaz que convive 500 dias com a mulher amada, e mais, caso leia a sinopse, ele tenta entender o que deu errado no relacionamento durante todo esse tempo. Agora, vamos desvelar o velado. Tom, o herói moderno, conta a partir do dia que a conhece e não estará com ela o tempo todo. Isso porque a vida separa-os, mas deixa a lembrança dos olhos, dos joelhos e da pintinha em formato de coração entre os seios de Summer, a nossa quase-heroína.
Desenvolvendo uma temática complexa, os relacionamentos humanos, o filme questiona a existência do amor, a influência do acaso e o caráter da coincidência e seu parente próximo, o destino. Talvez, por pretender-se tão abstrato, soe filosófico. E o é. Não consigo observar um tom despretensioso por parte do filme, sempre trabalhando por conceito-imagens e até chegando em museus de arte contemporânea, questiona a própria função da arte. Uma produção cinematográfica digna da Nouvelle Vague, apta aos temas de Woody Allen e dinâmica como a narrativa de um Tarantino.

De um jeito muito melancólico, a história encaminha-se para o Não. A gente ainda acredita, ou melhor, deixa-se iludir pela brincadeira do ir e vir dos dias remotos. O filme, o diretor e o roteirista tal qual a vida, implacável, confirmam o que desde o começo era esperado. Duas pessoas tão diferentes podem dar certo? Ela que tinha tudo para acreditar no amor (a saber: boa educação, família estruturada, boas notas, boa sociabilidade com amigos e parentes) sucumbe a realidade esmagadora da animalidade humana. Ele que tinha tudo para ser um drogado, viciado (a saber: preferência pelas músicas tristes britânicas, anti-sociabilidade, incapacidade de lidar com mulheres) é direcionado a plenitude da condição do ser humano enquanto ser CONSCIENTE DA SUA ETERNA FINITUDE.
E o amor, em meio a sociedade cibernética, velox e instântanea resistirá às tentações de experimentações? Será que o amor como conhecemos hoje sempre foi o amor? Será que fidelidade é segredo, o motor, a engrenagem principal de uma relação? Sobre essa última pergunta, respondo: não. Tal qual dois filmes asistido por meus olhos, Cenas de um Casamento, do Ingmar Bergman, e Peter e Vandy, do Jay DiPietro, esse último com uma narrativa também não-linear, percebo-me em total estado de epifania: o amor precisa ser comunicado. E bem clichê seria eu lembrar da Julia Roberts falando, em entrevista ao programa Fantástico da Rede Globo, sobre Comer, Rezar, Amar, que toda relação precisa de diálogo.

Numa mesa de bar, o amigo bêbado, ela com alguma dose de álcool e ele um pouquinho fora de si, conversam:
- Eu não acredito no amor, é uma fantasia! - Ela diz sorrindo.
- Eu estou falando de amor, não de Papai Noel.
Ela contra-argumentará e ele ficará abalado com tamanha credulidade naquelas palavras indesejadamente proféticas.

Quando eu assistir novamente, farei um mais novo texto. Como a vida e como a obra de arte que precisam constantemente de um mais novo olhar.

O filme começa com uma dedicatória clássica do cinema, aquela que diz "qualquer semelhança é mera coincidência", e completa com uma mensagem provocadora: "principalmente para você,..., vagabunda!". Eis que temos na abertura, uma linguagem fluída, desenhos singelos, músicas ternas : uma comédia romântica, como diz o Bezerra, um pouco distante do habitual público do gênero cinematográfico, as garotas. O nome 500 Dias com Ela é mentiroso em aparência e sincero em profundidade; quem o compro, o aluga ou simplesmente o nota, jura que é a história de um rapaz que convive 500 dias com a mulher amada, e mais, caso leia a sinopse, ele tenta entender o que deu errado no relacionamento durante todo esse tempo. Agora, vamos desvelar o velado. Tom, o herói moderno, conta a partir do dia que a conhece e não estará com ela o tempo todo. Isso porque a vida separa-os, mas deixa a lembrança dos olhos, dos joelhos e da pintinha em formato de coração entre os seios de Summer, a nossa quase-heroína.
Desenvolvendo uma temática complexa, os relacionamentos humanos, o filme questiona a existência do amor, a influência do acaso e o caráter da coincidência e seu parente próximo, o destino. Talvez, por pretender-se tão abstrato, soe filosófico. E o é. Não consigo observar um tom despretensioso por parte do filme, sempre trabalhando por conceito-imagens e até chegando em museus de arte contemporânea, questiona a própria função da arte. Uma produção cinematográfica digna da Nouvelle Vague, apta aos temas de Woody Allen e dinâmica como a narrativa de um Tarantino.

De um jeito muito melancólico, a história encaminha-se para o Não. A gente ainda acredita, ou melhor, deixa-se iludir pela brincadeira do ir e vir dos dias remotos. O filme, o diretor e o roteirista tal qual a vida, implacável, confirmam o que desde o começo era esperado. Duas pessoas tão diferentes podem dar certo? Ela que tinha tudo para acreditar no amor (a saber: boa educação, família estruturada, boas notas, boa sociabilidade com amigos e parentes) sucumbe a realidade esmagadora da animalidade humana. Ele que tinha tudo para ser um drogado, viciado (a saber: preferência pelas músicas tristes britânicas, anti-sociabilidade, incapacidade de lidar com mulheres) é direcionado a plenitude da condição do ser humano enquanto ser CONSCIENTE DA SUA ETERNA FINITUDE.
E o amor, em meio a sociedade cibernética, velox e instântanea resistirá às tentações de experimentações? Será que o amor como conhecemos hoje sempre foi o amor? Será que fidelidade é segredo, o motor, a engrenagem principal de uma relação? Sobre essa última pergunta, respondo: não. Tal qual dois filmes asistido por meus olhos, Cenas de um Casamento, do Ingmar Bergman, e Peter e Vandy, do Jay DiPietro, esse último com uma narrativa também não-linear, percebo-me em total estado de epifania: o amor precisa ser comunicado. E bem clichê seria eu lembrar da Julia Roberts falando, em entrevista ao programa Fantástico da Rede Globo, sobre Comer, Rezar, Amar, que toda relação precisa de diálogo.

Numa mesa de bar, o amigo bêbado, ela com alguma dose de álcool e ele um pouquinho fora de si, conversam:
- Eu não acredito no amor, é uma fantasia! - Ela diz sorrindo.
- Eu estou falando de amor, não de Papai Noel.
Ela contra-argumentará e ele ficará abalado com tamanha credulidade naquelas palavras indesejadamente proféticas.

Quando eu assistir novamente, farei um mais novo texto. Como a vida e como a obra de arte que precisam constantemente de um mais novo olhar.
13 de janeiro de 2012
Sentimental Capitalista
Um telescópio comprarei
para enxergar a dança do teu olhar.
Comprarei um microscópio
para entender o que me fez te amar.
Comprarei uma lupa
para olhar a tua unha a pintar.
E mesmo assim,
assim mesmo,
não a mim explicarei
o milagre que é ti.
para enxergar a dança do teu olhar.
Comprarei um microscópio
para entender o que me fez te amar.
Comprarei uma lupa
para olhar a tua unha a pintar.
E mesmo assim,
assim mesmo,
não a mim explicarei
o milagre que é ti.
7 de janeiro de 2012
Caetanos: Soldado e Artista

Nascido com orgulho em Santo Amaro da Purificação, filho de uma das mães mais famosas do Brasil, D. Canô, Caetano Veloso sempre tendeu para polêmicas. Hoje em dia, ele anda mais comportadozinho se comparado(sem fazer desmerecimentos) ao ele de uns tempos atrás. Falaremos das Postura Ideológica e Produção Artística do ser autolaboratório.
Uns tempos atrás, Caetano participava do movimento mais indentitário da cultura brasileira. Dando continuidade, apesar de tardia em gerações, ao Manifesto Antropofágico, protagonizou, ao lado de Gal Costa, Tom Zé, Nara Leão e Gilberto Gil, a Tropicália. Questão: Já existia Ney Matogrosso antes dos novos baianos? Não, ele é um dos influenciados direta ou indiretamente, uma vez que o mivimento baiano já estava acontecendo desde 1967 e ele, Ney, surgiu na mídia no final dos anos 70. Ainda como influenciados, temos o pernambucano Chico Science que bolou o Manguebeat.

Com tudo isso, percebemos o quanto da postura social do Caetano de 1968, ano clássico da juventude, mistificou-o e alçou-o à categoria de inspiração. Por causa do cabelo desgrenhado? Por causa da rebeldia política tendendo ao anarquismo? Por causa da necessidade cultura de uma novidade nacional que confrontasse com ímpeto a massividade do pop e rock internacional(principalmente norte-americano), sobretudo. Ainda que tenha sido vaiado, recebido "tomates" ao cantar "É Proibido Proibir", Caetano foi alastrando o seu sonzinho cadenciado, esse que segundo ele não era uma ramificação da Bossa Nova, embora assumisse ser fã do João Gilberto, a saber:
"Diferentemente da Bossa Nova, que introduziu uma forma original de compor e interpretar, a Tropicália não pretendia sintetizar um estilo musical, mas sim instaurar uma nova atitude: sua intervenção na cena cultural do país foi, antes de tudo, crítica".
http://cliquemusic.uol.com.br/generos/ver/tropicalismo
Antes de ser músico, Caetano foi militante. Como é díficil encontrar artistas assim(próximo da minha realidade juazeiro-petrolinense só consigo enxergar um compormetimento da atriz-diretora-escritora Cátia Cardoso e do ator Rafael Moraes, aquela que se diz não acreditar na política, mas é compormetida ao bem estar social, este que cobra ações da prefeitura de sua cidade).
Quem quer conhecer mais Caetano Veloso, pode procurar o documentário Coração Vagabundo que flagra Caetano despido(literalmente). Ele fala do tempo, que o fez bem, fala da religiosidade, que condena por tantos obscurantismos e manipulações, fala dos críticos, fala da música brasileira e americana.

E só mais uma curisidade: além de Ney Matogrosso, ELE* foi a inspiração para Cazuza.

Ele canta:
Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói
Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock?n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é em mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim
3 de janeiro de 2012
O Mágico e a Ilusão

Muitos hão de concordar comigo: há uma eterna dúvida sobre o caráter dos mágicos; um sentimento paradoxal de amar odiando. Isso porque gostamos de nos encantarmos pela delicadeza de seus gestos sobrenaturais e desenvolvemos uma coriosidade doentia para saber a verdade, isto é, o segredo. Queremos saber, mas se soubermos perderemos o estado de maravilhamento diante da mágica e passaremos a enxergá-la de modo demasiado técnico. O Surrealismo, a psicanálise freudiana e o realismo mágico, fantástico ou maravilhoso são juntamente do filme Meia Noite em Paris um arsenal de cartolas coloridas.
Agora, vamos embasar este texto à luz de outro texto:
"O que é mágica? Ilusionismo? Mágica e ilusionismo é a arte de tornar o irreal em real diante do espectador. Em latim temos dois vocábulos que dão origem a uma definição simples, a prestidigitação: arte de prestidigitador (presti = rápido, digiti = dedos) O mágico/ilusionista usa de sua habilidade e rapidez com as mãos para transformar e encantar".
(http://magicotom.blogspot.com/2007/06/o-que-mgica-ilusionismo.html)
E:
"A origem da palavra “mágica” vem do grego e derivado do latim que no original diz magiké e quer dizer peça de teatro com transformações fantásticas ou deslumbramento e fascinação. A palavra também traz a interpretação da palavra ilusionismo que é considerada uma arte por se tratar de habilidades das mãos".
(http://www.palavramagica.org/index.php/o-que-e-magica.html)
Imagine, permita-se imaginar envolvido por uma realidade que você sempre quis. Digamos que você se identifique com uma época remota, com um país que não é a sua pátria, com pessoas que não coexistem no mesmo espaço-tempo. É isso que acontece com o personagem do Owen Wilson (Gil, que graças ao talento do ator é um alterego mais bem desenhado que já vi do Woody Allen, desde o filme Poucas e Boas com a performance do Sean Penn, Owen consegue lembrar os olhares, trejeitos, tiques do meu ator-diretor numa fase jovem).

Um roteirista de cinema que é apaixonado por Paris sob chuva, bem diferente da mulher dele; enquanto um ver o passado em bares e restaurantes frequentados por fantasmas eruditos, outro, observa a beleza dos monumentos e do que é realidade imediata. Salvador Dali, Luis Buñuel, Ernest Hemingway, William Faulkner, apesar de caricatos, são apresentados com espontaneidade e desmistificados como Deuses. Momento sublime é quando o Gil sugere um enredo para um dos filmes que o Buñuel realizará mais tarde (um casal está jantando com amigos e de repente sentem-se presos, não conseguem passar da linha da porta da sala de jantar) e o próprio Buñuel questiona o motivo pelo qual os personagens não conseguem ultrapassar(situação que pode ser lida sob perspectiva do criador que desconhece a razão da criatura artística).
Com Meia Noite em Paris, você pode apreender a consciência de que existe um momento no dia em que todos os astros conspiram ao seu favor. Uma hora mágica na qual o sonho é tão real que ultrapassa a inexorabilidade da relação espaço-tempo.

Por Meia Noite em Paris, você pode relaxar suas retinas tão fatigadas. Você pode pensar que o Woody Allen ganhou uma bolada de grana para fazer o merchandising da cidade-luz. Mas, se você tiver um pingo de referência europeia, uma gota de sensibilidade literária, farpas musicais francesas e uma queda por comédias românticas aversas aos filmes de explosivos e carnificina americanos; bem, você vai querer morar em Paris.
Anda, acorda! Deixa Paris viver em Você. Faz essa mágica, permita-se iludir uma hora da vida. Brinca tal qual brincava quando era criança; brinca de ser rico, brinca de ser pobre, brinca de ser bandido, brinca de ser polícia. A vida, a vida anda apresentando-se para mim como uma grande aula de teatro.

Anda, acorda! Deixa Paris viver em Você.
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