29 de abril de 2012

Então, eu não mais sonho contigo. Daquelas vezes que fiquei pensando em ser teu homem, e tu, minha mulher. Retirei os emblemas do teu nome na minha mente tão fértil a teus encantos. Eu não te quero mais, e por isso, minto! Minto descaradamente. Minto, pois você é a pessoa certa, mais que certa, mais que perfeita. Mas. Não sou o certo para ti. Deus, Deus, Deus! Devo acreditar sem delongas de que há uma pessoa à minha espera. Necessito crer nisso para que os meus sonhos não naufaguem nos meus pobres projetos de vida dos quais não comportam mais teu nome. Eu queria tanto te ter no quarto, na estante. Dividir um livro contigo. Falar sobre um poema, um autor, uma música! Imaginei você demais, e pior, contigo, contigo, idiota que sou, imaginei estando contigo! Olha, é que caso um dia você me imagine também, me fala. Eu me renderei facilmente ao teu amor vencido, mas que me fará bem. Vencido, ultrapassado, desgastado, eu vou querer estar... e ser... com você, isto é, você!

22 de abril de 2012

De uns dias para cá venho tentado estipular metas pessoais. Frequentar uma academia de musculação e ler um livro por semana. Ontem comecei, a do livro, e comecei por um bastante significativo à minha condição mais momentânea. Foi com A Metamorfose, obra do jovem judeu que escrevia em alemão, KAFKA. Para mim, foi o compromisso realizado de muitos anos. Desde quando comecei a admirar o autor de Cem Anos de Solidão, sempre soube que ele quisera e tivera a certeza de ser escritor mediante as primeiras linhas onde se fala dos sonhos intranquilos e do ser metamorfoseando em seu quarto humano! Não admirei ao notar identificação entre a vida de Gregor e minhas possíveis vidas(outra coisa que venho fazendo de uns dias para cá, imaginado o quanto de vidas eu teria caso tivesse feito outras escolhas). Lendo o livro, lembrei do meu trabalho em Juazeiro, quando tive que abrir mão dos meus amigos do ensino médio(no último ano, o qual estudava pelo turno da manhã). Perdi muitas coisas com o começo precoce do minha mão de obra, mas não posso nem devo negar que conquistei uma certa seriedade, ainda que doentia.Conquistei também novos amigos, e sem perceber já estava preso ao salário. Aconteceu daí que me descobri preso ao salário, e fiquei consciente do sufocar meus sonhos que nunca estiveram ou foram concretos. Ignorei, ignorei o fluir das coisas e bem de praxe mesmo, tudo foi sendo arrastado para debaixo do tapete. Hoje, mais uma vez, vejo-me diante de um imenso muro que tem na sua base e extremidade: uma porta e uma escada, respectivamente! Sou obrigado a decidir o que quero. O que será de mim? Que será? Bem. Por enquanto, só eu e eu mesmo e os outros eu e as outras alteridades absurdas do meu ser podem conversar sobre isso. Ainda, no entanto, como pesa e é insuportável a "responsabilidade". E como os vadios, patifes, mendigos são felizes em não precisar responder por nada, mas ao mesmo tempo sofrem por não serem respondidos. Sinto o muito muito compensador, como um caixa cruel que contabiliza e pondera todos os valores morais, celestes, infernais e qualquer outro. Santo Deus e Santa Pizza, como o Hamlet sofreu em seu questionamento mais desgastado no mundo moderno! Ser ou ser outro ser outrora? Deixar de ser e ser novamente mais tarde? Ah! Conjunção maldita e violenta, detentora de todos os tempos e dimensões! Ou, ou, ou! Sempre ou. Alternando-lhes, sobra a mais incrível criação da juventude: uó, uó, uó! Deixe estar, e toda a minha vida será varrida de ou e terá o imperativo categórico pó-moderno do "e". (A nova versão do blogger me fez perder a paciência para correções posteriores).

8 de abril de 2012

Mais um tema banal: Felicidade?

Tenho quase certeza! Agora, que jogo com o mundo um jogo de gato e rato. Fujo dos assuntos batidos, dos clichês, dos chavões, até dos ditados populares, sempre me refugiando e revalidando o grau de infundação do pensamento ultrapassado. Ultrapassado, hahahaha!




Daí, hoje, interessa-me a felicidade. A velha felicidade, tão desgastada, debatida, banalizada; a do Globo Repórter, que um dia chegará no Globo Rural, do Café Filosófico. Mas nunca minha. Acho que banalizar, é tornar um coisa muito menos sua e mais dos outros.

Por me perceber demasiado "cult", pobre de mim, muito me interessou por longos anos os assuntos mais incomuns, menos debatidos, com exceção do BBB. E por tal motivo, fui ignorando os posts de Caio Fernando Abreu, a saga de Harry Potter, a febre Crepúsculo, o Jornal Nacional nos tempos de pré-vestibular, até o talento extraordinário de Clarice Lispector. Com isso, tudo que poderia me socializar acabou por me envolver numa casca dura! De compreender tudo com normalidade, acabei por ler a banalidade dos dias e da coisas. Banalizei minha vida, começo a ver as coisas apenas com o olhar. Abro uma explicação sobre esse último período do parágrafo.

(Nós seres humanos temos uma dádiva tão fácil de ser administrada; a dádiva dos sentidos. Escutar, cheirar, tocar, observar. E misturar tudo isso é tão vitaminante! Imagina tocar pela simples observação, imagina sentir o cheiro de um pensamento. Ah, gente isso é coisa para o übermensch, e nada mais)

Agora, assusto-me ao perceber o quanto nosso século está condenado a isso de banalidade que confunde-se com a virtualização, o cybernético, ainda que esse seja um malefício perante muitos benefícios da nossa queridamente detestável insubstítuivelmente internet. Quando o Louvre não mais atrair visitantes, quando os clubes aquáticos não mais comportar ambientes de conversas, quando o ensino tornar-se mais a distância, aí sim isso pode ser mais alarmante. Por enquanto é só uma pedrinha de gelo em alto mar. Na minha vida, um bloco imenso que só avistei agora, aos 22 anos. Logo eu que sempre tive afeição pelos poemas de Manuel Bandeira, que nunca achei banal!

Mas, vem cá, meninas e meninos leitores, como que algo torna-se banal?

Seria a repetição constante, o cansaço diante de certos acontecimentos?! Seria o modo como os meios de cultura se posicionam perante a sociedade? Seria o reflexo dos comportamentos? E a banalidade pode ser boa?

Banal não é sinônimo de comum, rotina, normal.
Banal pode resumir-se em banir do nosso pensamento a capacidade pensar sobre algo; é automatizar as coisas; é mecanizar a interpretação; é não rever o significado; é um niilismo mascarado!!!

A Felicidade é um tema normal, mas que de tão digestível e instantânea a grande maioria do pensamento mundial contemporâneo, acaba por ser simplesmente um rir/gargalhar, ou vai dizer que você não imagina isso quando escuta/ler a palavra felicidade?