21 de fevereiro de 2012

Muda Mudança



Enquanto eu aprendo a voar sozinho, caindo, vou orando para que nenhuma tempestade me abata. Sempre fui muito rastejante, talvez subterrâneo, quieto, modesto. Sempre gostei de ficar no meu lugar quente, fervente, conhecido. Gosto muito de coisas novas, do novo, mas sempre me escondo e me protejo das consequências. Mas por necessidade, é tempo de voar e enfrentar os efeitos do risco de estar no céu. Tempo de olhar de longe, de olhar diferente, de ser diferente e encontrar as mesmas pessoas que ama o mesmo eu mas com um eu que invitavelmente será diferente.



De lá de longe, vou estar voando alto, bem alto. Sendo visto por muitos. Sendo invejado, odiado, admirado, amado. Amado, está aí o sentido e a relevância, amado por quem eu sei que sempre esteve do meu lado(elefante que sou, não me esqueço).



Eu sei que não serei o mesmo, e peço a Deus para não ser.



Afastar-se da cidade que você cresceu, das pessoas que te protejeu, dos amigos que conseguiu, das respostas certas, dos conselhos rápidos... e se aventurar a fazer tudo de novo, não é esse o jogo da vida? Encontrar novas perguntas, escutar novas respostas, conhecer outros eus que estavam abafados por um eu certo, convicto, cego de si mesmo.



Voar, voar como um passarinho. Tal qual um passarinho fraquinho perante o infinito céu mutável. O céu que será pincelado a cada dia por saudade, adversidade, descobertas, aprendizagens, loucuras, racionalidades, incertezas, coragem, ousadia, medos e alegrias. Eis que o céu que estou prestes a voar está com nuvens que formam um labirinto, e o meu Minotauro é o meu amor, que é também o próprio Teseu.

É hora de crescer, descer, pegar impulso e voar no ar mutável.

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