20 de fevereiro de 2012

Os Fins

Há pequenos ciclos na minha vida que não consigo fechar. Há ciclos pequeninhos e tão bonitos e pueris, que não consigo fechar. Ciclo de amor platônico, ciclo de vontades filosóficas, ciclos de anseios musicais. Por enquanto eu vivo de um ciclo que me alimenta e de outros ciclos que me impulsionam a viver.

O fim, o fim. O fim não acaba quando coloco um ponto final. O fim não é o The End. O fim mesmo é o espaço vazio que fica depois do que chamamos e pensamos ser o fim. Aquele sentimento de vazio absoluto, um misto de angústia e nostalgia antecipada.

E talvez por isso dói levantar a mão e acenar um tchau. Como dói abraçar com carinho e olhar nos olhos e dizer até mais. Como dói sair de repente e mentir descaradamente pra si que nada está acontecendo, e que é natural, e que é normal. As normas e as regras irrefletidas não tem sentimento. Dá adeus é acreditar no tempo e no destino, caso ame a pessoa da despedida, ou acreditar no nunca mais.



Eu estou destroçado de despedidas. Me despedindo do quarto que não dormirei mais, do vento raro e agradável das noites quentes de Juazeiro, me despedindo de pessoas fantásticas que conheci numa intensidade funesta e embriagante.

A duras penas custo a acreditar que a vida é feita de ciclos. Que os pontos finais e parágrafos equivalem a pontos de cirurgias que custam a cicatrizar. É sobre os fechamentos que me ponho a pensar. Sobre as desistências, as decepções, os rompimentos, as desilusões, a falta de esperança.

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