22 de abril de 2012
De uns dias para cá venho tentado estipular metas pessoais. Frequentar uma academia de musculação e ler um livro por semana. Ontem comecei, a do livro, e comecei por um bastante significativo à minha condição mais momentânea. Foi com A Metamorfose, obra do jovem judeu que escrevia em alemão, KAFKA.
Para mim, foi o compromisso realizado de muitos anos. Desde quando comecei a admirar o autor de Cem Anos de Solidão, sempre soube que ele quisera e tivera a certeza de ser escritor mediante as primeiras linhas onde se fala dos sonhos intranquilos e do ser metamorfoseando em seu quarto humano! Não admirei ao notar identificação entre a vida de Gregor e minhas possíveis vidas(outra coisa que venho fazendo de uns dias para cá, imaginado o quanto de vidas eu teria caso tivesse feito outras escolhas). Lendo o livro, lembrei do meu trabalho em Juazeiro, quando tive que abrir mão dos meus amigos do ensino médio(no último ano, o qual estudava pelo turno da manhã). Perdi muitas coisas com o começo precoce do minha mão de obra, mas não posso nem devo negar que conquistei uma certa seriedade, ainda que doentia.Conquistei também novos amigos, e sem perceber já estava preso ao salário.
Aconteceu daí que me descobri preso ao salário, e fiquei consciente do sufocar meus sonhos que nunca estiveram ou foram concretos. Ignorei, ignorei o fluir das coisas e bem de praxe mesmo, tudo foi sendo arrastado para debaixo do tapete.
Hoje, mais uma vez, vejo-me diante de um imenso muro que tem na sua base e extremidade: uma porta e uma escada, respectivamente! Sou obrigado a decidir o que quero. O que será de mim? Que será?
Bem. Por enquanto, só eu e eu mesmo e os outros eu e as outras alteridades absurdas do meu ser podem conversar sobre isso. Ainda, no entanto, como pesa e é insuportável a "responsabilidade". E como os vadios, patifes, mendigos são felizes em não precisar responder por nada, mas ao mesmo tempo sofrem por não serem respondidos. Sinto o muito muito compensador, como um caixa cruel que contabiliza e pondera todos os valores morais, celestes, infernais e qualquer outro.
Santo Deus e Santa Pizza, como o Hamlet sofreu em seu questionamento mais desgastado no mundo moderno! Ser ou ser outro ser outrora? Deixar de ser e ser novamente mais tarde? Ah! Conjunção maldita e violenta, detentora de todos os tempos e dimensões! Ou, ou, ou! Sempre ou. Alternando-lhes, sobra a mais incrível criação da juventude: uó, uó, uó!
Deixe estar, e toda a minha vida será varrida de ou e terá o imperativo categórico pó-moderno do "e".
(A nova versão do blogger me fez perder a paciência para correções posteriores).