19 de janeiro de 2012

As Estações de Ninar

(Sobre os desencontros do Eu e o Lírico)

I

No verão, o vento.
No outono, o vento.
No inverno, o vento.
Na primavera, o vento.
E pelo vento, seu possível cheiro.

II

Sabe quando o sol arde?
Quando ele brilha tanto que mescla as letras dos livros?
Sabe quando o céu estoura numa fotografia?
Eu me sinto isso.
- O Sol?
Não. As ardências, as letras e o céu cruelmentes iluminados por você, um astro distante.

III

Hoje, estou triste.
- Triste?
É. Mais uma vez descobri que você não existe.

IV

- Ainda está triste?
Um pouco.
Só não estou habituado a olhar uma árvore tão linda como você;
imaginá-la serenamente florida,
e mais tarde, descobrí-la mirage.

V

Por que você não existe dentro de mim e só dentro de mim?
Pra quê insiste em existir fora?

VI

- Eu não sou o seu problema. Sou a sua solução, sou sua musa!
Não, você é os meus soluços.

VII

- Sou a sua solução e seus soluços.

Nenhum comentário:

Postar um comentário