(Sobre os desencontros do Eu e o Lírico)
I
No verão, o vento.
No outono, o vento.
No inverno, o vento.
Na primavera, o vento.
E pelo vento, seu possível cheiro.
II
Sabe quando o sol arde?
Quando ele brilha tanto que mescla as letras dos livros?
Sabe quando o céu estoura numa fotografia?
Eu me sinto isso.
- O Sol?
Não. As ardências, as letras e o céu cruelmentes iluminados por você, um astro distante.
III
Hoje, estou triste.
- Triste?
É. Mais uma vez descobri que você não existe.
IV
- Ainda está triste?
Um pouco.
Só não estou habituado a olhar uma árvore tão linda como você;
imaginá-la serenamente florida,
e mais tarde, descobrí-la mirage.
V
Por que você não existe dentro de mim e só dentro de mim?
Pra quê insiste em existir fora?
VI
- Eu não sou o seu problema. Sou a sua solução, sou sua musa!
Não, você é os meus soluços.
VII
- Sou a sua solução e seus soluços.
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