7 de janeiro de 2012

Caetanos: Soldado e Artista




Nascido com orgulho em Santo Amaro da Purificação, filho de uma das mães mais famosas do Brasil, D. Canô, Caetano Veloso sempre tendeu para polêmicas. Hoje em dia, ele anda mais comportadozinho se comparado(sem fazer desmerecimentos) ao ele de uns tempos atrás. Falaremos das Postura Ideológica e Produção Artística do ser autolaboratório.

Uns tempos atrás, Caetano participava do movimento mais indentitário da cultura brasileira. Dando continuidade, apesar de tardia em gerações, ao Manifesto Antropofágico, protagonizou, ao lado de Gal Costa, Tom Zé, Nara Leão e Gilberto Gil, a Tropicália. Questão: Já existia Ney Matogrosso antes dos novos baianos? Não, ele é um dos influenciados direta ou indiretamente, uma vez que o mivimento baiano já estava acontecendo desde 1967 e ele, Ney, surgiu na mídia no final dos anos 70. Ainda como influenciados, temos o pernambucano Chico Science que bolou o Manguebeat.



Com tudo isso, percebemos o quanto da postura social do Caetano de 1968, ano clássico da juventude, mistificou-o e alçou-o à categoria de inspiração. Por causa do cabelo desgrenhado? Por causa da rebeldia política tendendo ao anarquismo? Por causa da necessidade cultura de uma novidade nacional que confrontasse com ímpeto a massividade do pop e rock internacional(principalmente norte-americano), sobretudo. Ainda que tenha sido vaiado, recebido "tomates" ao cantar "É Proibido Proibir", Caetano foi alastrando o seu sonzinho cadenciado, esse que segundo ele não era uma ramificação da Bossa Nova, embora assumisse ser fã do João Gilberto, a saber:

"Diferentemente da Bossa Nova, que introduziu uma forma original de compor e interpretar, a Tropicália não pretendia sintetizar um estilo musical, mas sim instaurar uma nova atitude: sua intervenção na cena cultural do país foi, antes de tudo, crítica".
http://cliquemusic.uol.com.br/generos/ver/tropicalismo

Antes de ser músico, Caetano foi militante. Como é díficil encontrar artistas assim(próximo da minha realidade juazeiro-petrolinense só consigo enxergar um compormetimento da atriz-diretora-escritora Cátia Cardoso e do ator Rafael Moraes, aquela que se diz não acreditar na política, mas é compormetida ao bem estar social, este que cobra ações da prefeitura de sua cidade).

Quem quer conhecer mais Caetano Veloso, pode procurar o documentário Coração Vagabundo que flagra Caetano despido(literalmente). Ele fala do tempo, que o fez bem, fala da religiosidade, que condena por tantos obscurantismos e manipulações, fala dos críticos, fala da música brasileira e americana.



E só mais uma curisidade: além de Ney Matogrosso, ELE* foi a inspiração para Cazuza.





Ele canta:

Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock?n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é em mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim

Nenhum comentário:

Postar um comentário