3 de janeiro de 2012

O Mágico e a Ilusão



Muitos hão de concordar comigo: há uma eterna dúvida sobre o caráter dos mágicos; um sentimento paradoxal de amar odiando. Isso porque gostamos de nos encantarmos pela delicadeza de seus gestos sobrenaturais e desenvolvemos uma coriosidade doentia para saber a verdade, isto é, o segredo. Queremos saber, mas se soubermos perderemos o estado de maravilhamento diante da mágica e passaremos a enxergá-la de modo demasiado técnico. O Surrealismo, a psicanálise freudiana e o realismo mágico, fantástico ou maravilhoso são juntamente do filme Meia Noite em Paris um arsenal de cartolas coloridas.

Agora, vamos embasar este texto à luz de outro texto:

"O que é mágica? Ilusionismo? Mágica e ilusionismo é a arte de tornar o irreal em real diante do espectador. Em latim temos dois vocábulos que dão origem a uma definição simples, a prestidigitação: arte de prestidigitador (presti = rápido, digiti = dedos) O mágico/ilusionista usa de sua habilidade e rapidez com as mãos para transformar e encantar".
(http://magicotom.blogspot.com/2007/06/o-que-mgica-ilusionismo.html)

E:

"A origem da palavra “mágica” vem do grego e derivado do latim que no original diz magiké e quer dizer peça de teatro com transformações fantásticas ou deslumbramento e fascinação. A palavra também traz a interpretação da palavra ilusionismo que é considerada uma arte por se tratar de habilidades das mãos".
(http://www.palavramagica.org/index.php/o-que-e-magica.html)

Imagine, permita-se imaginar envolvido por uma realidade que você sempre quis. Digamos que você se identifique com uma época remota, com um país que não é a sua pátria, com pessoas que não coexistem no mesmo espaço-tempo. É isso que acontece com o personagem do Owen Wilson (Gil, que graças ao talento do ator é um alterego mais bem desenhado que já vi do Woody Allen, desde o filme Poucas e Boas com a performance do Sean Penn, Owen consegue lembrar os olhares, trejeitos, tiques do meu ator-diretor numa fase jovem).



Um roteirista de cinema que é apaixonado por Paris sob chuva, bem diferente da mulher dele; enquanto um ver o passado em bares e restaurantes frequentados por fantasmas eruditos, outro, observa a beleza dos monumentos e do que é realidade imediata. Salvador Dali, Luis Buñuel, Ernest Hemingway, William Faulkner, apesar de caricatos, são apresentados com espontaneidade e desmistificados como Deuses. Momento sublime é quando o Gil sugere um enredo para um dos filmes que o Buñuel realizará mais tarde (um casal está jantando com amigos e de repente sentem-se presos, não conseguem passar da linha da porta da sala de jantar) e o próprio Buñuel questiona o motivo pelo qual os personagens não conseguem ultrapassar(situação que pode ser lida sob perspectiva do criador que desconhece a razão da criatura artística).

Com Meia Noite em Paris, você pode apreender a consciência de que existe um momento no dia em que todos os astros conspiram ao seu favor. Uma hora mágica na qual o sonho é tão real que ultrapassa a inexorabilidade da relação espaço-tempo.



Por Meia Noite em Paris, você pode relaxar suas retinas tão fatigadas. Você pode pensar que o Woody Allen ganhou uma bolada de grana para fazer o merchandising da cidade-luz. Mas, se você tiver um pingo de referência europeia, uma gota de sensibilidade literária, farpas musicais francesas e uma queda por comédias românticas aversas aos filmes de explosivos e carnificina americanos; bem, você vai querer morar em Paris.

Anda, acorda! Deixa Paris viver em Você. Faz essa mágica, permita-se iludir uma hora da vida. Brinca tal qual brincava quando era criança; brinca de ser rico, brinca de ser pobre, brinca de ser bandido, brinca de ser polícia. A vida, a vida anda apresentando-se para mim como uma grande aula de teatro.



Anda, acorda! Deixa Paris viver em Você.

Nenhum comentário:

Postar um comentário