17 de novembro de 2011

Eu: Quixote e Casmurro




As pessoas olham assim para o Diêgo ou Johnatan, com um olhar de compaixão, afeto, desprezo (às vezes). Eu gosto disso. Gosto de me sentir protegido tal qual me sinto ao embrulhar-me com o lençol da cabeça aos pés, sinto-me envolto do útero da minha mãe. Um proteção sem igual, distante da filosofia e das linguísticas, assim, distante dos perigosos abismos pen(s)áveis.

Percebo o meu caráter viajante, vacilante, distante. Alguns amigos reconhecem o meu ar filosófico (aqui no sentido mais perjorativo ou esteriotipado) possível: com a cabeça no mundo da lua. Gostaria de dizer que não sinto o menor prazer em estar no mundo da lua, em verdade, vos digo: nunca estive. Conheço Macondo, lá sim, sou amigo do rei Márquez. Se você ler isso, pensará: nossa, ele tem um sentido de vida!

Não tenho.

Nem mesmo minha avó constitui uma razão existencial a minha vida. Nunca tentei morrer, mas já cogitei a possibilidade. O meu problema é justamente o problema da Lane no filme Setembro, sempre tentei Viver. Busco sentidos, busco a construção de um sentido para as coisas na minha vida; apesar de já ter perdido a ânsia de conseguir o mais rápido possível. Quem me enxerga não é difícil de perceber a minha condição de arrastar-se pelo mundo, como retirando uma força do nada. Nesse sentido, transpareço a mais profunda angústia machadiana.

Não fui sempre assim.

Já tive minha Capitu e o meu Sancho Pança, perdi-os por puro descuido. Eis aí uma característica deste personagem redondo que vos fala: DESCUIDADO, DISTRAÍDO E INGÊNUO. Mas de uma ingenuidade que assemelha-se a mais impura ignorância.

Se consigo perceber o momento exato da mudança de comportamento? Consigo. Ler Nietzsche foi um profundo equívoco.

Quixote, quando encontrei o Rei Márquez em Macondo e fiquei envolvido com ar fantástico das coisas ao meu redor.

Quero escrever isso não como uma declaração e um atestado de continuidade. Quero escrever para saber que fui um sujeito histórico.

Uma das coisas que mais me revela:
O meu ponto de vista sobre o céu;
antes, um lugar sagrado, vasto, infinito, pleno;
agora, o mesmo lugar vasto com a imprevisibilidade da grande destruição.

Hoje, identifico-me com um equilibrista que a qualquer momento pode desabar, tais quais minhas metáforas preferidas: castelo de areia, corda bamba e folhas secas. Eu sou tão vasto,

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