14 de novembro de 2011

Setembro




Um espaço apenas, limitado e vital. Um tempo inferior a três dias. Chegadas e despedidas constantes. Vários solilóquios. Muitas quebras de perspectivas.

Na primeira vez em que o filme foi gravado, Woody Allen não se agradou com o resultado e decidiu cancelar o contrato com metade do elenco, bem como reescrever algumas coisas. Mia Farrow está no elenco, permanece e faz o personagem principal, Lane (um quase alterego, senão o próprio, do diretor). Isso por causa da fragilidade, timidez e na grave inaptidão social com seus aspectos filosóficos. No entanto, há uma CAUSA para o comportamento singular da protagonista, algo que não confere a realidade do diretor/roteirista, o qual não falarei agora.

Com uma música de Jazz, uma casa bem arrumadinha e com predominante com âmbar. Um lustre muito bem polido e perfeito é sustentado pelo teto. Há cadeiras e sofás, há muitos objetos, é um ambiente bastante preenchido. É um dia comum. Pessoas sentadas no sofá conversam em outro idioma. De repente, Lane entra ofegante queixando-se do comportamente da mãe (primeiro indício da tensão entre elas).

Sabemos que haverá uma festa. (...)É noite. Músicas clássicas, piano, drink. Chuva. Raios. Trovoadas. Uma tempestade lá fora, total tranquilidade cá dentro. O namorado veranista de Lane começa a olhar diferente para a melhor amiga de sua namorada.

(...)

É uma realização bastante poética. Há de se creditar a tempestade (física) que dá ritmo a sucessão dos eventos que derrocam para uma grande situação, mas também a queda de energia elétrica e utilização de velas, é mágico observar o acontecimento num filme. Há de se observar e reobservar os diálogos e as perspectivas profissionais influindo na perspectiva pessoal perante as escolhas da vida. A exemplo disso:

Numa mesa de sinuca, joga um profissional do campo das Ciências da Natureza contra um, das Ciências Humanas. Um professor de Física contra um Escritor em busca de inspiração. O diálogo é essencialmente, e interferencialmente esse:

- Qual a bomba atômica está produzindo atualmente?

- Escolhi um campo mais aterrador do que isso.

- O que seria mais aterrador que a destruição do mundo!?

- A consciência do absurdo da existência. O mundo é feito dos acasos cósmicos, é moralmene neutro e inimaginavelmente violento. O universo surgiu do nada e ao nada voltará. As leis físicas são insuficientes quando aplicadas a um campo ou a vastidão que é o universo.

Pobre escritor e pobres professores de Literatura que pensam dominar integralmente o dom da interpretação e suas estéticas da recepção. Um sujeito totalmente impregnado de racionalidade manifesta um pensamento avassaladoramente poético, por isso transcendente. Esses são personagens Allenianos, a qualquer instante pode nos surpreender tamanha a potencialidade reprimida no seu mais recôndito mistério interior.

Queria falar mais sobre o filme. Mas deixo para falar mais por aqui... assim, aos poucos, tal qual os filmes dramáticos do meu imprescindível Woody,

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