
Vendo um filme na televisão, os olhos dela começam a piscar numa frequência maior, de longe, assisto àquela cena frágil, delicada e poética. O olhar começa a embriagar-se de vontade de ceder. Eu digo sussurrando: Te amo. Virando o rosto para mim, ela sorri como que estivesse escutado uma voz de outro mundo, do mundo dela, do interior pessoal.
O filme continua, o sono cresce e eu percebo o meu encantamento responsável de proteger tão lindo sono que nasce vagarosamente. Eu digo sussurando: Dorme, meu amor, sonha. Sonho contigo daqui onde estou. Ela vira o rosto para minha direção, solta um beijinho no ar. Penso: será que ela me escuta?
Acordo. Percebo que ela era um sonho que sonhava. Eu queria ser o sonho dela. O homem dos sonhos dela; mas inegavelmente não sou. Sou feito de carne, nervos, sangue e ossos. Não sou uma ideia que a agrade.
Mas, Deus, ó, Deus! Queria ser abstrato para penetrar-lhe sorrateiramente e invisivelmente. Ah! Sonhos, sonhos... quando estamos a sonhar não julgamos a todo modo estarmos imbuídos de realidade? Quando você sonha, você acredita nele. Para mim, basta acreditar nela e ela, em mim.
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