Ela foi falando para mim que os homens se aproximavam dela por puro interesse sexual. Que ela não queria ser considerada objeto de desejo.
- Será que eles não entendem! Só quero pegar na mão, caminhar pela rua abraçadinhos, contar besteiras ao pé do ouvido. Não quero só sexo! Eu tenho minha mão para isso, e tenho três ajudas lá em casa. Três garotos. Então, eu resisto às tentações e fico investindo na amizade. Quando eles me maltratam, ainda no início, percebo que eles estavam com a velha expectativa dos mesmos homens que chegam até mim, a expectativa fácil de que tudo vai rolar!
- Irônica situação, eu disse, porque eu estive nesse impasse com minha ex-namorada. No meu caso, era a falta e não o excesso de sexo.
- É. É preciso complementar, melhor, suplementar! Mas todos eles são iguais.
- Não, não são. É preciso que você fale isso que você me falou para eles. Assim, pensarão a atitude animalesca e primitiva que seguem. Você sairá da condição de vaso no qual é colacada "flores" e passará para a condição de mulher que merece receber flores. Mas do que colocá-las num lugar qualquer. Eduque-os.
- Eu, educá-los.
- É. Talvez, você faça a diferença na mente de muitos homens. Você é linda, sensual e humana. Não deixe que nada predomine sobre a sua humanidade que já lhe é inerente. Digo, deixe que eles enxerguem isso em você. Caso queiram brincar de ser machões, brinque de ser a mulher-maravilha.
- Não sei.
- Ao menos tente me escutar e reflita sobre o que ouviu.
Com aqueles olhos que o Diabo lhe concedeu, o riso com que o tempo lhe deixou e o coração que Deus presenteou, ela foi e eu fui. Nós fomos, cada um para um lado, cada um com um pouco de cada do outro.
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