
Talvez um dos sinais do amadurecimento seja o reconhecimento do que te move, não exatamente do motivo da movimentação, mas o que te move. Estive durante muito tempo querendo saber a natureza da movimentação do meu espírito, sim, ele move-se. E o instante em que mais me sinto vivo é quando a movimentação está tão intensa que faz ele entrar em atrito/contacto com o mundo concreto das coisas. Então, acabo, nestes instantes, em conhecer as coisas num plano pleno.
Voltanto a natureza dos motivos, isto é, das motivações, digo, movimentações, percebo que os grandes espíritos (pessoas que fizeram da vida Vida) eram movidos por uma paixão absurda, cega, incontrolável. Tanto para o bem quanto para o mal, eles enxergaram em algo aparentemente parado, o motor da existência pessoal.
Bem verdade, nessa infinitude de engrenagens afetivas que temos, vamos aos poucos perdendo o vigor. A engrenagem-mãe partirá, a engrenagem-vó perderá o prazo de validade, a engrenagem-irmão somente será um compartilhador de nostalgias. Mas... ainda podemos pensar na engrenagem-filho, na engrenagem-companheira(o). Não, não quero traçar um paralelo entre homem e máquina, unh... pensando bem, quero sim! Aliás, já foi traçado. O homem é uma máquina de sonhos e ilusões. É preciso entender que as máquinas também são sensíveis, elas quebram, dão defeito, terminam... então, há um paralelo.

As máquinas são movidas pelos homens, pelas vontades humanas. E as vontades humanas sao movidas pelo o quê? Freud já disse do inconsciente. Jung já ampliou o dito com o inconsciente coletivo. E o que move o inconsciente? É o consciente na sua mais sorrateira atitude, dirão as mentes mais "privilegiadas". E eu acataria tal resposta. Mas o inconsciente pelo inconsciente ficará na inércia. A pergunta é: o que te faz levantar da cadeira? o que te faz dizer eu te amo para a pessoa amada? o que te faz levantar cedo?

Certa vez, li algo num livro chamado O Administrador de Sonhos, algo como: Os sonhos é(ou são*, pode concordar com o predicativo do sujeito) como a energia elétrica, não podemos tocá-la, enxergá-la de fato, mesmo assim a percebemos por manter tudo funcionando.
Seriam os sonhos o nosso combustível? Então, quem não sonha vive uma vida vegetativa?! Não, ainda não é o sonho. Melhor, não somente o sonho. Há inúmeras coisas que nos movem. Entre tantas, é cientificamente comprovado que uma boa alimentação é de bom valor para a energia. Caprichar na proteína, carboidratos, vitaminas, assim você se alimentará muito bem, podendo até morrer de infarto por uma vida inteiramente bem alimentada mas pouca empenhada em algo.
O ser humano é mesmo complicado, neh? É sim. É o nosso momento trágico, meu bem! Nossa salvação e nosso aniquilamento: o pensar e o pesar.
Já estou caminhando para outro assunto, que volte e meia sempre chego até ele. De antemão, o mais salutar é ir terminando sem saber exatamente o que nos move. Às vezes, o momento no qual me sinto mais vivo é justamente quando não penso a natureza do meu movimento. Não que esteja fazendo algo mecanicamente. É que estou apenas fazendo algo por prazer, sem recompensa, sem um sinal de retribuição, sem necessidade de elogios pela caridade, sem fins filantrópicos.
Rotineiramente, movimenta-me muito a voz de Caetano Buarque e Chico Veloso (rs). Mas também, os pensamentos de Gabriel José Márquez e García Saramago. Meus pés e coração também ficam mais ritmados quando penso em ser professor universitário e ter a vida de um professor universitário: orientar aluno, discutir, criar relações próximas, estabelecer vínculos afetivos, viajar, descobrir, publicar.
Estou começando a acreditar que o que movimenta o ser humano não são as coisas, mas o olhar. O modo de olhar, de perceber, de observar, de encarar, de CONVIVER E SOBREVIVER com as coisas em seus estados de inércia infinita.
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