Agora, você existe, tá? Você tem olhos verdes, fala complicado, nasceu na África. Tem 1,69m, magro na medida incerta. Gosta de filosofia, Caetono Veloso e outras drogas intelectuais. Você se parece comigo, querido! Mas, entenda que você não sou eu.
Eu vou brincar com você. Eu vou te colocar num lugar onde você nunca esteve.
Agora, você está num lugar totalmente branco. Um lugar onde seus olhos tentam enxergar cores, mas só há o branco. Sua roupa é branca. Assuste-se! Ande, assuste-se! Isso. Quero te ver chorando.
Eu acho lindo quando você chora! Olha, repara no espelho que eu coloquei neste lugar branco. Enxerga? Seus olhos brilham, menino! Você é lindo demais! Perceba-se. Acredite em você. Invadindo o teu psicológico, você não acredita em você. O que eu devo fazer?
- Por que você está fazendo isso comigo, narrador?
- Por que eu gosto de estados tristes, densos, naturalistas.
- Mas eu sou tão parecido contigo! Num faz isso comigo! Por favor!
- Desculpe-me, meu caro!
Ele está de frente para todas as pessoas que o encataram. Todas as pessoas estão sendo veladas por grãos de areia de uma praia na qual ele nunca esteve. Os grãos de areia gargalham como rinocerontes indo ao ataque. Todas as pessoas mortas, não vê?
- É mentira!
É verdade. Tente imaginar, tente perceber que a imaginação é uma realidade antecipada, meu homem! Veja. Berra! Grita! Imagina, por favor!
- Não tem jeito, narrador! Não tem jeito. Estou sufocado num niilismo maldito! Desculpa.
Tem jeito!
- Tem?
Você não é eu. Você nunca foi. Você é uma praga, uma leitura errada de conceitos filosóficos. Eu preciso destruir você.
- Você não acredita em mim.
Não, meu caro. Eu preciso acabar com você!
- Mas eu sou você.
Hum, não tanto. Dividimos o mesmo corpo, por isso mesmo o mesmo coração, a mesme mente. Mas eu vou te buscar onde você estiver. Eu vou acabar com você.
- Num faz isso comigo.
Eu sinto compaixão de você, sabia? Eu queria cuidar de você, da sua depressão desmedida e ilógica. Todo esse sofrimento antecipado de coisas inevitáveis. Inevitáveis, meu Deus! Chega de Tragédias! Deixa a tragédia pro final!
- Mas, entenda...
Não! Não vou entender! Minha reza diária será no intuito de te caçar no meu incosciente. Quando eu te encontrar, meu caro, quando eu te encontrar, ou você será um gatinho morto ou um leão feroz!
- Então, venha, seu babaca!
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