26 de outubro de 2011

As Primeiras Vezes

Meu relacionamento com o Teatro aconteceu por acaso. Tinha ido assistir a um ensaio da minha prima, ela participava de uma companhia chamada Cisne Selvagem. Eles estavam ensaiando um espetáculo chamado Psicose. Eu tinha meus onze anos. O elenco era bem maduro, mais idade.

Tinha uma cena que um garoto de mais ou menos minha idade tossia; era um efeito de sonoplastia. Naquele dia, o diretor percebera minha presença e quis imprimir um toque realista à cena. Lá estava eu atrás de um banquinho, tossindo. Minha primeira participação.

Fiquei na companhia. Fiz Rabicó, do Monteiro Lobato; fui todo pintado de rosa. Eu bem gordinho e fazendo grunhidos: "Oinc, oinc, oinc...". E já pequenino gostava do ator que fazia Visconde, eu queria ser o ator que fazia Visconde. Ele era engraçado. Como a maioria das crianças, gostava do engraçado e daquilo que me é estranho. Até hoje guardo uma vontade enorme de representar o Visconde.

Com um tempo, houve a proposta de eu fazer o Pedrinho. Faltava uma semana para uma temporada. Eu não consegui decorar, tive de abrir mão. E um ator veterano supriu a necessidade. Com um tempo, concorri com um ator para o papel do anjo Gabriel. Meu apelo era a minha idade e meu rostinho angelical. O apelo dele era a elegância, a brancura, a voz; ah, ele era um ator de vinte e poucos anos, e eu, um esboço de ator. Ele ganhou. E eu me desdobrei em dois personagens os quais não lembro o nome. Um, se não me engano, era filho de Herodes, o outro era um... não lembro. Mas fiz dois personagens.

Daí, tive de me afastar do Teatro. Motivo? Preconceito familiar, notas más na escola, indisciplina e rebeldia, sem contar que minha prima tinha saído também; no caso dela, pura opção, tinha começado a namorar. Só retornei quando comecei a trabalhar, com os meus dezoito anos. Aí, ninguém poderia me segurar ou implicar com os meus próprios investimentos.

É onde estou até hoje, desde 2008. E é a partir daqui que quero detalhar as coisas e causas.

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