29 de outubro de 2011

Manifesto à Reignorância das Coisas In*ú*teis

Resumo para quem não quer ler por completo:
Tente enxergar os PENSAMENTOS seus sob perspectiva de quem está numa maca de uma UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA.


Para escrever sob o marcador de Reflexões Filosóficas, sempre estudo um bocado antes. Para escrever isso que vos escrevo, leitor, precisei assisti a uns dois vídeos sobre Foucault, outros sobre Epistemologia e ler algumas matérias e artigos. Unh, conhecimento fragmentado, você pode estar pensando. Que você pense o que quiser. Aqui é um Manifesto!



Se eu fosse político do Ministério da Educação faria uma reforma educacional bastante polêmica. É preciso rever o que os nossos estudantes estão estudando, considerar o grau de maturidade e o nível intelectual.

É muito angustiante observar alunos fazendo balanceamento químico, reações, calculando massa molar. Ah, que se ensine, sabe, leitor? Mas que se diga para quê! O conhecimento precisa passar pelo filtro do:

O quê?
Para quê?
E como?

É frustrante, para mim, escutar conversas de amigos superempolgados num assunto, num assunto... ah, tá, é direito de cada um. Mas, e o silêncio? Por que o ser humano foge do silêncio de uma maneira tão radical? Sempre estar falando para agradar, para ser simpático, DEMONSTRAR INTERESSE..

Vamos falar de pornografia, da morte, das topadas e suas filosofias que perpassam o nosso cotidiano. Vamos falar do filme da Sessão da Tarde, do nosso primeiro beijo, de uma conta de matemática que se refere a uma P.A. duma* dívida maldita que não para de crescer.

Vamos quebrar esses paradigmas infelizes de que Conhecimento Nunca é Demais, ATÉ PORQUE SIM, ELE É. Conhecer demais causa angústia e outras desgraças. CONHECIMENTO É PODER só quando você é beneficiado pela sorte, SORTE de ser filho de um barão, passar num CONCURSO PÚBLICO, e antes disso tudo NÃO TER MORRIDO DE FOME.

Não quero proclamar uma SOCIEDADE DESINFORMADA, VELADA, ALIENADA. Queria propor uma reflexão sobre a FUTILIDADE dos meus e dos seus pensamentos sobre coisas muito eruditas. O que interessa, de fato, é a banalidade e a trivialidade dos acontecimentos. E não nego os devidos valores a gênios clássicos e carrancudos, mas se não tiver finalidade prática... Até que não tenha, sabe, mas que seja útil para tornar você uma pessoa melhor(melhor no sentido de que você sinta-se bem consigo mesmo, no silêncio, no banheiro, sentado ou sentada no vaso sanitário).

Filmes, Artigos, Relatório, Monografias, Dissertação, Ópera, Teatro, tudo isso é TEXTO. O PRETEXTO é sempre a VIDA de quem POUCO PENSA, e Muito Faz.

Falem menos, meus intelectuais idiotas! Escutem os ditados populares, intelectuais imbecis! Abram os ouvidos para escutar a verdade que é feita de pó de estrada e não pó de livro, filmes e documentos.



Meus intelectuais idiotas, lembrem de que a existência precede a essência! Respeitem as mentes diversas que, às vezes, mentem para si mesmas por necessidade, vontade, ou até mesmo, bel-prazer. Usem da Linguística para pensar.

Meus intelectuais idiotas, o português correto, puro e perfeito só existe na cabeça de cada um de vocês e só funcionam numa sala onde só vocês estejam. Aí, usem da sintaxe e da prosódia no ritmo frenético de um Caetano Veloso apelativo pós-tropicália.

De gênios em gênios, eu sempre fico com Woody Allen. Ele que faz da filosofia um acidente casual nos seus filmes. De gênios em gênios, fico com Alberto Caeiro e com Clarice Lispector quando diz:

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

Clarice Lispector


Mas que fique bem claro. O conhecimento só é desprezível quando se o tem. E se for para pensar, penso com a cabeça e depois vou irradiando o pensamento pelo corpo todo.

CRIE SIGNIFICADOS, PRODUZA SIGNIFICADOS, REINVENTE OS SIGNIFICADOS

(E pensar que a Filosofia que surgiu de um "simples" questionar para amenizar uma pertubação espíritual, transformou-se num emaranhado de coisas que sufocam os seres humanos).

Espero que tenha entendido o que eu quis dizer, ainda que por meio do resumo.

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